Garcia Pereira Advogados Associados

As despesas com compras de stablecoins no exterior foram de US$ 14,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, mais que o dobro do valor registrado no mesmo período do ano passado, quando a estatística somou US$ 6,5 bilhões. Os dados fazem parte das estatísticas do setor externo do Banco Central (BC) e foram divulgados nesta terça-feira (28/7).

O número é referente às despesas com contrapartes no exterior em operações de compra de criptoativos com passivo correspondente.

Esse conceito engloba criptoativos com emissor, que podem ser stablecoins como Tether/USDT, e também moedas digitais de bancos centrais, mas os números são majoritariamente referentes a stablecoins. As operações representam, por exemplo, a compra por exchanges para disponibilizar esses ativos ao mercado brasileiro.

As stablecoins são muito utilizadas no mercado de câmbio e já vinha registrando crescimento nos últimos anos. Em 2025 como um todo, as despesas foram de US$ 17,3 bilhões. As informações são obtidas pelo Banco Central por meio de contratos de câmbio.

As estatísticas ainda mostram os números para os criptoativos sem emissor, como os bitcoins. Nesse caso, o volume é mais baixo. A despesa em operações de compra desses ativos no exterior somou US$ 415 milhões no primeiro semestre, contra R$ 612 milhões no mesmo período de 2025.

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IDP e déficit

O Banco Central também registrou que o Investimento Direto no País (IDP) no primeiro semestre alcançou US$ 47 bilhões. Considerando o período de 12 meses, o IDP chegou a US$ 89,3 bilhões (3,58% do PIB). A estatística considera investimentos mais duradouros no país, como reinvestimentos de lucros e processos de participação no capital, por exemplo. 

A maior parte do valor do semestre, US$ 41,3 bilhões, é referente a processo de participação no capital. Já outros US$ 5,7 bilhões são operações intercompanhia, como créditos recebidos pelas filiais no Brasil e amortizações pagas ao exterior. No último Relatório de Política Monetária (RPM), o BC projetou IDP de US$ 75 bilhões no fim deste ano.

O IDP é considerado a principal fonte de financiamento dos déficits nas contas externas e o resultado do semestre superou o déficit das contas externas no mesmo período. O déficit foi de US$ 27,5 bilhões, menor do que  no mesmo período de 2025, quando o resultado negativo tinha sido de US$ 32,8 bilhões. 

Os números da primeira metade do ano foram impactados por um saldo positivo maior da balança comercial, de US$ 37,4 bilhões contra US$ 26,1 bilhões no primeiro semestre do ano passado. A conta da renda primária, que considera renda de juros, por exemplo, foi mais negativa este ano, com déficit deUS$ 40,2 bilhões contra US$ 35,8 bilhões em 2025. 

Já a conta de serviços também foi mais deficitária, em US$ 27,4 bilhões. No mesmo período de 2025, o déficit estava em US$ 25,5 bilhões. A projeção do BC para o déficit nas contas externas deste ano é de US$ 56 bilhões.

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