O presidente da Anfavea, Igor Calvet, reforçou o coro de insatisfação com os juros altos no Brasil e alertou que o aperto monetário está afetando principalmente a produção e venda de caminhões. A entidade do setor automotivo fez sua coletiva mensal sobre os resultados do setor em Belém, aproveitando o ensejo da COP30 e os painéis sobre sustentabilidade no setor.
Os dados mostram que em outubro houve queda de 0,5% na produção de veículos na comparação com igual mês do ano passado. Mesmo assim, no acumulado do ano, há uma alta de 5,2% ante o período de janeiro a outubro de 2024. As vendas também perderam fôlego, com recuo de 1,6% ante outubro do ano passado, mas com alta acumulada de 2,2% nos dez primeiros meses do ano.
Os números só não foram piores por conta das vendas aceleradas nos veículos de entrada que fazem parte do programa “carro sustentável”, que no mês passado teve alta de 12,7% e acumula, desde seu início em julho, incremento de 20,5% sobre o período de julho a outubro de 2024.
No segmento de caminhões, a produção despencou 31,3% em outubro e no ano acumulam perdas de 7,3%. “A queda no último trimestre do ano já equivale a um mês inteiro de produção. Esse é um alerta importante para todos nós, porque eu acho que traz e traduz efetivamente a realidade daquilo que está acontecendo no mercado dos caminhões”, disse o executivo.
Calvet não só criticou os juros altos como cobrou do governo medidas para tentar mitigar a situação e evitar o risco de um colapso. Para ele, uma das iniciativas seria retirar ou ao menos reduzir a dupla cobrança de IOF nas operações do setor. Também sugere reduzir os juros praticados nas operações de crédito do BNDES via Finame e um programa de renovação de frota para estimular as vendas do setor. “Três medidas potenciais que criariam fatos novos para o setor. As medidas seriam voltadas para o consumidor”, destacou.
Para ele, o cenário para o setor automotivo de forma geral em 2026 não será um ano fácil por conta do ambiente de juros altos. Mas as projeções para o próximo ano, segundo ele, ainda não foram fechadas pela entidade.