Após o término do prazo de desincompatibilização (4 de abril último) para quem deseja se candidatar nas eleições 2026, a disputa pelas 54 vagas em jogo no Senado Federal está equilibrada na maioria dos estados brasileiros, mas com vantagem da oposição no cenário geral. É o que indica levantamento feito pelo JOTA com base nas mais recentes pesquisas de intenção de voto.
Lula, por ora, ainda carece de nomes com boas chances de serem eleitos em Rondônia, Goiás, Roraima e Mato Grosso do Sul, onde pré-candidatos apoiados por Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem na liderança. O cenário também se mostra favorável ao presidenciável do PL, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Santa Catarina, em Mato Grosso e no Distrito Federal.
Em sentido inverso, os cenários mais confortáveis para o presidente Lula e preocupantes para seus opositores estão em Pernambuco, na Paraíba e na Bahia. Nos demais estados, a concorrência entre governistas e o bloco de oposição está parelha, com nomes competitivos de ambos os lados.
Lula e Flávio continuam atuando diretamente na formação das chapas estaduais. Segundo as duas campanhas, a eleição para o Senado é estratégica em termos de governabilidade para o futuro presidente e também porque somente os senadores detém o poder de promover o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), uma das bandeiras da oposição.
Nas eleições deste ano, o Senado renova dois terços das 81 cadeiras , elegendo dois senadores por estado e o Distrito Federal. A Casa é considerada um território hostil a Lula e ao STF, a ponto de, na ultima quarta-feira (29/4), ter rejeitado a indicação de Jorge Messias para a Corte.
Em linhas gerais, é possível afirmar que, a despeito da força congressual da oposição e das previsões iniciais de que Lula enfrentaria muitas dificuldades na formação de suas chapas regionais, o presidente conseguiu montar uma rede de pré-candidatos capaz de fazer frente à direita e à centro-direita.
Esse arranjo governista só foi possível graças a acordos com aliados, entre eles, as siglas do Centrão, e, em alguns casos, com ação direta do Planalto e da direção do PT junto aos diretórios estaduais no partido para a formação das chapas, como nos casos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, do Rio de Janeiro e em Minas Gerais, por exemplo.
Ação direta
Lula atuou para que três ex-ministras de seu governo entrassem na disputa pelo Senado. Até agora, as pesquisas têm demonstrado que o presidente acertou em seu diagnóstico. Em São Paulo, Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB) aparecem com boas possibilidades de serem eleitos na disputa com Guilherme Derrite (União-PP), Ricardo Salles (Novo) e André do Prado (PL), este último, recentemente escolhido pelo grupo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para ser pré-candidato, o que, de largada, confedere a ele favoritismo em vista da boa avaliação do governador.
No Paraná, Gleisi Hoffmann (PT), ex-ministra de Lula, pontua nas pesquisas com chances de ficar com uma das vagas. No estado, há uma disputa jurídica em torno da elegibilidade do ex-procurador da República e ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo), que também aparece no pelotão da frente da corrida pelo Senado.
Em Minas Gerais, Lula insistiu para Marília Campos (PT) se desincompatibilizar do cargo de prefeita de Contagem para concorrer ao Senado. A petista agora aparece em primeiro lugar em alguns cenários das recentes pesquisas. Em Santa Catarina, o presidente interveio para que Décio Lima (PT) fosse retirado da disputa pelo governo para se candidatar a senador. Os levantamentos permanecem desfavoráveis para o nome petista, atrás de Carlos Bolsonaro (PL) e Carol De Toni (PL), mas em algumas sondagens ele já aparece numericamente à frente do senador Esperidião Amin (União-PP).
Outro exemplo da ação direta de Lula é o Rio de Janeiro, onde o presidente apostou na aliança com Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo. Em troca, exigiu apoio a Benedita da Silva (PT) para o Senado. A petista lidera algumas pesquisas ao lado de Cláudio Castro (PL), que está inelegível e recorre da decisão.

No Rio Grande do Sul, a direção nacional do PT interveio para que o partido apoiasse Juliana Brizola (PDT) para o governo e lançasse o petista Paulo Pimenta ao Senado. O ex-ministro de Lula está embolado no pelotão de frente, mas numericamente atrás de Manuela d’Ávila (PSOL), aliada de Lula, e de Germano Rigotto (MDB).
A ação direta de Flávio Bolsonaro também tem sido determinante na escolha de candidatos competitivos em estados importantes, como em Santa Catarina, onde o presidenciável optou pela “chapa pura” do PL, formada por seu irmão Carlos e Carol De Toni, e no Pará, com Éder Mauro (PL).
A “chapa pura” do PL também recebeu o apoio de Flávio no Distrito Federal, que terá Michele Bolsonaro, mulher de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e Bia Kicis. Em Alagoas, o presidenciável atuou diretamente para que Alfredo Gaspar deixasse o União Brasil e se filiasse ao PL, assumindo a presidência do diretório estadual.
De acordo com os mais recentes levantamentos, Gaspar está na liderança da disputa pelo Senado em Alagoas, seguido por Renan Calheiros (MDB), o candidato de Lula, e Arthur Lira (União-PP).
Polarização
A polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro criou alguns redutos estaduais na disputa pelo Senado. Na Bahia, Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT) aparecem nas primeiras posições, seguidos pelo agora oposicionista Angelo Coronel (Republicanos).
Em Pernambuco, Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), ambos apoiados por Lula, despontam como favoritos. Atrás deles, Miguel Coelho (União-PP) vem construindo um diálogo com o presidente.
Outro estado da região Nordeste em que Lula está em vantagem é a Paraíba: João Azevêdo (PSB) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) têm aparecido na liderança isolada das poucas pesquisas de intenções de voto.
Do lado da oposição a Lula, os líderes das pesquisas em Roraima, Teresa Surita (MDB) e Antônio Denarium (PP), devem apoiar Flávio Bolsonaro. O mesmo ocorre em Mato Grosso, onde três dos melhores colocados nas pesquisas são do PL: Reinaldo Azambuja, Capitão Contar e Marcos Pollon.
Em Rondônia, Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL), ambos aliados de Flávio, despontam como favoritos. A base aliada ao presidente Lula enfrenta sérias dificuldades no estado para lançar uma pré-candidatura competitiva.
Centrão
O poderoso bloco congressual conhecido como Centrão (MDB, PSD, União Brasil-PP, Republicanos e Podemos entre outros) está bem posicionado na disputa das vagas para o Senado. Em alguns estados, seus pré-candidatos apoiam Lula, como no Piauí; em outros, Flávio Bolsonaro, como ocorre em Roraima, por exemplo.
O Piauí é o caso mais emblemático da aliança entre Lula e o Centrão. Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), do pelotão de liderança das pesquisas, apoiam a reeleição do presidente. Ciro Nogueira (PP), também do bloco de ponta, é o principal nome de Flávio.
Lula também conta com o Centrão, especialmente o MDB, para equilibrar forças em Alagoas, com Renan Calheiros (MDB), no Amazonas, com Eduardo Braga (MDB), e no Ceará, com Eunício Oliveira (MDB). Nesses três estados, a liderança das pesquisas está com candidatos alinhados a Flávio Bolsonaro: Alfredo Gaspar, Capitão Alberto Neto (PL) e Capitão Wagner (União), respectivamente.
No Amazonas, Lula apoia a candidatura do ex-deputado Marcelo Ramos (PT), que desponta como terceiro colocado nas pesquisas. Porém, Braga é aliado do governo federal no Congresso. No Pará, o presidente está bem posicionado com o apoio à pré-candidatura de Helder Barbalho (MDB), que é líder seguido de Éder Mauro (PL).
Nem todos estão com Lula entre os pré-candidatos ao Senado do MDB. Janaina Riva, com boas chances em Mato Grosso do Sul, declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Nesse estado, Lula apostará na reeleição de Carlos Fávaro (PSD), que foi seu ministro da Agricultura.
O PSD também estará com Lula no Amapá, onde Lucas Barreto pontua bem nas pesquisas, e no Tocantins, com o senador Irajá Abreu, candidato à reeleição. Em Mato Grosso do Sul, Nelsinho Trad (PSD) declarou apoio a Ronaldo Caiado, o presidenciável de seu partido.
Todas as candidaturas precisam ser referendadas pelos partidos nas convenções, previstas para ocorrer a partir de junho próximo. A campanha eleitoral começa oficialmente, conforme o calendário da Justiça Eleitoral, em agosto. Para o levantamento, foram utilizadas, preferencialmente, pesquisas dos institutos Atlas Intel, Real Time Big Data, Paraná Pesquisas, Veritá, Datafolha e Quaest. Importante ressaltar que as margens de erro são dilatadas, geralmente variando entre dois e quatro pontos percentuais. A maior parte dos cenários ainda não está consolidada.
Por ora, a lista de favoritos por unidades da Federação é:
Alagoas
Cenário equilibrado
Favoritos: Alfredo Gaspar (PL), Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP)
Acre
Cenário equilibrado
Favoritos: Gladson Cameli (PP), Jorge Viana (PT) e Márcio Bittar (PL)
Amapá
Cenário equilibrado
Favoritos: Rayssa Furlan (Podemos), Lucas Barreto (PSD) e Randolfe Rodrigues (PT)
Amazonas
Cenário equilibrado
Favoritos: Capitão Alberto Neto (PL) e Eduardo Braga (MDB)
Bahia
Cenário favorável a Lula
Favoritos: Rui Costa (PT), Jaques Wagner (PT), João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos)
Ceará
Cenário equilibrado
Favoritos: Cid Gomes (PSB), Capitão Wagner (União-PP),Roberto Cláudio (União-PP), Eunício Oliveira (MDB) e Luizianne Lins (PT)
Distrito Federal
Cenário favorável a Flávio Bolsonaro
Favoritos: Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL), Ibaneis Rocha (MDB) e Erika Kokay (PT)
Espírito Santo
Cenário equilibrado
Favoritos: Renato Casagrande (PSB), Sergio Meneguelli (PSD) e Maguinha Malta (PL)
Goiás
Cenário favorável a Ronaldo Caiado e Flávio
Favoritos: Gracinha Caiado (União-Progressistas), Vanderlan Cardoso (PSD), Zacarias Kalil (MDB) e Gustavo Gayer (PL)
Maranhão
Cenário equilibrado
Favoritos: Roseana Sarney (MDB), Roberto Rocha (Republicanos), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD)
Mato Grosso
Cenário favorável a Flávio
Favoritos: Mauro Mendes (União), Janaína Riva (MDB), Carlos Fávaro (PSD) e José Medeiros (PL)
Mato Grosso do Sul
Cenário favorável a Flávio
Favoritos: Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL), Marcos Pollon (PL) e Nelsinho Trad (PSD)
Minas Gerais
Cenário equilibrado
Favoritos: Marília Campos (PT), Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL), Aécio Neves (PSDB), Alexandre Kalil (PDT) e Marcelo Aro (União-PP)
Pará
Cenário equilibrado
Favoritos: Helder Barbalho (MDB), Éder Mauro (PL), Zequinha Marinho (Podemos), Celso Sabino (PDT) e Paulo Rocha (PT)
Paraíba
Cenário favorável a Lula
Favoritos: João Azevêdo (PSB), Veneziano Vital do Rego (MDB) e Marcelo Queiroga (PL)
Paraná
Cenário equilibrado
Favoritos: Álvaro Dias (MDB), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL), Gleisi Hoffmann (PT), Alexandre Cury (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD)
Pernambuco
Cenário favorável a Lula
Favoritos: Marília Arraes (PDT), Humberto Costa (PT), Miguel Coelho (União-PP), Mendonça Filho (PL), Anderson Ferreira, Túlio Gadelha (PSD) e Dudu da Fonte (União-PP)
Piauí
Cenário equilibrado
Favoritos: Marcelo Castro (MDB), Júlio César (PSD) e Ciro Nogueira (União-PP)
Rio de Janeiro
Cenário equilibrado
Favoritos: Cláudio Castro (PL), Benedita da Silva (PT), Marcelo Crivella (Republicanos), Pedro Paulo (PSD) e Márcio Canella (União-PP)
Rio Grande do Norte
Cenário equilibrado
Favoritos: Styvenson Valentim (Podemos), Coronel Hélio (PL), Samanda Alves (PT) e Zenaide Maia (PSD)
Rio Grande do Sul
Cenário equilibrado
Favoritos: Manuela d’Ávila (PSOL) Germano Rigotto (MDB), Marcel van Hattem (Novo) e Paulo Pimenta (PT)
Rondônia
Cenário favorável a Flávio
Favoritos: Bruno Scheid (PL) e Fernando Máximo (PL)
Roraima
Cenário favorável a Flávio
Favoritos: Tereza Surita (MDB) e Antônio Denarium (PP)
Santa Catarina
Cenário favorável a Flávio
Favoritos: Carlos Bolsonaro (PL), Carol De Toni (PL), Esperidião Amim (União-PP) e Décio Lima (PT)
São Paulo
Cenário equilibrado
Favoritos: Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Márcio França (PSD), Guilherme Derrite (União-PP) e André do Prado (PL)
Sergipe
Cenário equilibrado
Favoritos: Eduardo Amorim (PSDB), Edvaldo Nogueira (PDT), Rodrigo Valadares (União-PP), André Moura (União-PP) e Rogério Carvalho (PT)
Tocantins
Cenário favorável a Flávio
Favoritos: Eduardo Gomes (PL), Alexandre Guimarães (MDB), Carlos Gaguim (União-PP) e Irajá Abreu (PSD)