Garcia Pereira Advogados Associados

O presidente Lula (PT) confirmou nesta quarta-feira (29/7) Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente na chapa que disputará a reeleição. A manutenção da dobradinha Lula-Alckmin foi oficializada durante a convenção nacional do PSB, em Brasília, com forte presença de ministros, dirigentes partidários da esquerda e centro-esquerda e pré-candidatos da sigla. 

A chapa será homologada no domingo (2/8), quando o presidente lançará oficialmente sua reeleição na convenção nacional do PT. O evento ocorrerá no Expo Center Norte, em São Paulo.

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Durante o discurso, Lula fez diversos elogios a Alckmin, que descreveu como alguém de “muita lealdade” e “muita honestidade”. O presidente citou diretamente o seu antecessor, Jair Bolsonaro, em crítica à condução do governo da pandemia da Covid-19.

“Veio a Covid e o SUS finalmente conseguiu ter a visibilidade por conta da decência dos médicos, enfermeiros, faxineiros, motoristas, que colocavam a vida em risco para salvar quem estava nas mãos de um homicida chamado Bolsonaro, que foi responsável por mais da metade dos mortos”, declarou. 

Lula disse estar “convencido” de que ele e Alckmin serão eleitos e disse querer “matar as eleições” no 1º turno: “Não há nenhuma razão [para perdermos], mesmo se eu e ele só errarmos daqui para frente. O acerto foi tanto que a gente não perde essas eleições”.

‘Quero fazer a guerra da narrativa’

Lula respondeu a manifestações do presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump, e do presidente argentino, Javier Milei, sobre a eleição brasileira. O petista afirmou que não pretende alimentar uma disputa diplomática, mas disse que o governo e sua campanha atuarão para derrotá-los no que chamou de uma “guerra de narrativa”.

“Trump fica querendo brigar comigo, mas eu não quero brigar com ele. Eu não sou bobo”, afirmou. “O cara diz que tem os maiores navios do mundo, as maiores bombas atômicas do mundo. Eu quero brigar com ele? Eu quero paz”, completou.

Em seguida, disse que pretende enfrentar politicamente as investidas externas: “Quero derrotá-los na narrativa. Quero fazer a guerra da narrativa”.

O presidente também comentou sobre a negativa de visto brasileiro a dois representantes enviados pelos Estados Unidos. Segundo ele, os funcionários americanos pretendiam interferir no processo eleitoral brasileiro. 

“Enquanto eu for presidente, enquanto eu for vivo, ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras”, disse. 

Lula criticou a participação de Milei na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro, no último sábado (25/7), mas disse que pretende preservar as relações institucionais entre os dois países. 

“Vocês viram a patacoada que fez aqui o presidente da Argentina? Eu não falei nada. Minha relação é de chefe de Estado com Estado”, declarou. “Não vou ficar trocando coisa com aquela coisa”, completou. 

Aliados

Com palanque cheio, o evento do PSB teve presença massiva de integrantes do governo. Lula chegou acompanhado pelos ministros Dario Durigan (Fazenda), José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Paulo Pereira (Empreendedorismo), que compõem o diretório da sigla como segundo secretário nacional. 

Participaram ainda: Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), José Múcio Monteiro (Defesa); Wolney Queiroz (Previdência Social); Leonardo Barchini (Educação); Frederico de Siqueira Filho (Comunicações); Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação).

O presidente do PSB, João Campos, destacou a fidelidade do PSB ao projeto de reeleição de Lula e disse que o partido estará com petista em todos os estados e no Distrito Federal. Campos, que já foi prefeito de Recife, tentará se eleger a governador de Pernambuco. O PT é representado na chapa dele por Humberto Costa, que busca se reeleger ao Senado. 

A convenção teve a presença das principais apostas do PSB para essas eleições e de nomes históricos do partido. Entre eles, o ex-ministro Márcio França, candidato a vice-governador de São Paulo na chapa de Fernando Haddad; a ex-ministra Simone Tebet, candidata ao Senado pelo estado; e os ex-governadores do Distrito Federal Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg, que tenta a reeleição à Câmara dos Deputados.

Também estiveram presentes a senadora Soraya Thronicke, candidata à recondução pelo Mato Grosso do Sul; o senador Cid Gomes, líder do PSB no Senado e candidato a um novo mandato; e o jornalista José Luiz Datena, que se filiou ao partido neste ano e deve disputar uma vaga na Câmara.

Na convenção, além de ratificar a indicação de Alckmin à vice-presidência, os partidários do PSB também aprovaram a participação do partido na coligação encabeçada pelo PT. A aliança reúne a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, além de PSB, Rede, PSOL e PDT. O grupo terá como representante o presidente nacional do PT, Edinho Silva.