O governo brasileiro vê espaço para negociar a potencial sobretaxa de 25% a que as exportações do país aos EUA poderão estar submetidas por recomendação do USTR ao final da investigação sob a seção 301, prevista para 15 de julho. Mas não a de 12,5%, considerada o novo normal, ou uma nova roupagem para a tarifa de 10% que a administração Trump vinha cobrando globalmente até a Suprema Corte americana considerar a cobrança ilegal.
A estratégia agora será intensificar as negociações comerciais até 7 de junho, quando termina o prazo dado por Lula e Donald Trump para que suas equipes técnicas se entendam sobre tarifas de lado a lado. Se não houver acordo nos próximos dias, a ideia é tentar adiar ao máximo a aplicação dos 25%, inicialmente prevista para 15 de julho, ainda que sobre parte da pauta.
A avaliação é que os americanos seguem dispostos a negociar — como teria manifestado o chefe do USTR, Jamieson Greer, ao chanceler Mauro Vieira, em rápido encontro em Paris, onde participaram de evento da OCDE — e que o anúncio do relatório preliminar, divulgado em 1º de junho, no qual se recomenda a imposição da sobretaxa de 25%, seria mais um mecanismo de pressão para obter vantagens nas negociações em curso com o Brasil, como antecipou o JOTA.
Sobre a mesa, neste momento, ou seja, para as negociações que seguem o prazo dado por Lula e Trump a suas equipes, estariam apenas as tarifas. Temas não tarifários, como Pix, big techs e outros pontos previstos na investigação em si, não estariam incluídos neste contexto.
O governo sabe que será necessário dar algo em troca. No rol de tarifas consideradas excessivas pelos americanos estaria o etanol. Atualmente, a taxa brasileira sobre o produto que vem dos EUA está em 18%, contra 2,5% na direção oposta. No entanto, se aplicados os dois percentuais anunciados pelo USTR nas suas investigações sob a seção 301, a tarifa americana subiria para 37,5%, mais do que o dobro da brasileira.
Sobre a tarifa de 12,5%, a equipe técnica do governo brasileiro vê difícil reversão no curto prazo, uma vez que ela está sendo aplicada a vários países no âmbito da investigação sob a seção 301 aberta para apurar o uso de trabalho forçado em diversas nações. A dificuldade estaria no fato de que qualquer mudança teria de valer para todos, o que teria implicações sistêmicas.
Além do Brasil, seriam taxados com os mesmos 12,5% China, Japão, Índia, Coreia do Sul, Suíça, Argentina, Israel e dezenas de outros países. Já Canadá, México, Taiwan, Reino Unido e outros países e territórios seriam taxados com 10% adicionais. Neste caso, a explicação estaria no fato de não terem aplicado de forma adequada a proibição de importação de produtos feitos com trabalho forçado. Várias dessas nações já teriam, inclusive, assinado acordos comerciais com os EUA desde o ano passado.
A leitura é que essa tarifa, em especial, foi a forma legal encontrada para substituir os 10% que vinham sendo cobrados de terceiros países.