Bom dia!
“Aqui tem sangue de Bolsonaro”, exultou o senador Flávio Bolsonaro na convenção nacional do PL que confirmou sua candidatura à Presidência da República.
Ao reforçar uma fórmula consagrada pelo pai, o agora candidato busca garantir seu lugar no segundo turno contra Lula, Marianna Holanda e Grasielle Castro analisam na nota 2.
A presença do presidente argentino, Javier Milei — que chamou o ministro do Supremo Alexandre de Moraes de “lixo careca” —, provocou uma resposta diplomática do governo, convocando o embaixador argentino para explicações.
Lula chega à convenção do PT que irá confirmar sua tentativa de um quarto momento sob um paradoxo, Fabio MuraKawa analisa na nota de abertura. Ele ainda é o favorito, mas ainda não tem o nível de aprovação necessário para assegurar a reeleição
Ronaldo Caiado, do PSD, confirmou sua candidatura ontem (26) e busca se vender como o “antipetista raiz”, Beto Bombig relata na nota 3.
Resta a confirmação de Romeu Zema, que oficializa sua candidatura hoje (27), em Brasília.
Boa leitura.
O PONTO CENTRAL
1. Pulga atrás da orelha
A campanha de Lula começa com um paradoxo, Fabio MuraKawa analisa no JOTA PRO Poder.
- O presidente chega à disputa como favorito, mas sem o nível de aprovação de governo que seus aliados consideram necessário para lhe assegurar a reeleição.
🔭 Panorama: O PT aposta naquilo que sempre foi um dos maiores ativos do presidente: a capacidade de transformar a campanha em um período de reconexão com o eleitor, convertendo carisma pessoal em apoio ao governo — e, por consequência, em votos.
- Houve avanços nos últimos meses, e algumas pesquisas já apontam um nível de aprovação numericamente maior do que o da desaprovação.
Sim, mas… O quadro na maioria dos levantamento segue de empate técnico.
- O favoritismo de Lula hoje deve-se muito mais aos desentendimentos no campo de Flávio Bolsonaro e às trapalhadas na principal campanha adversária do que à disposição do eleitor independente de renovar seu mandato.
- O petista também ganhou do clã Bolsonaro um adversário externo: Donald Trump.
- O governo também turbinou os gastos neste ano eleitoral, desembolsando cerca de R$ 180 bilhões em diferentes medidas.
É nesse contexto que Lula oficializará sua candidatura na convenção nacional do PT, no domingo (2), em São Paulo.
- Em comparação aos rivais, chega com a casa relativamente arrumada.
- Cerca de duas semanas antes do evento, já havia definido palanques em 25 dos 26 estados, além do Distrito Federal.
- Conseguiu, além disso, aglutinar em torno de si praticamente toda a esquerda — PSB, PDT, a federação Rede/PSOL, PCdoB e PV —, enquanto Flávio segue isolado, sem vice definido e rumando para uma chapa puro-sangue do PL.
🔮 O que observar: Aliados relatam que o presidente segue muito contrariado com o desempenho da avaliação de sua gestão nas pesquisas.
- Em reuniões, vem cobrando de ministros e do núcleo de campanha uma divulgação mais eficiente das ações do governo.
- Esse grupo acredita que, caindo a desaprovação, o crescimento nas pesquisas será quase automático.
- A partir de agora, a tarefa de convencer o eleitor de que merece um quarto mandato caberá ao próprio Lula.
- Os petistas apostam que, como ocorreu nas três eleições que ele venceu, o presidente crescerá à medida que a campanha avançar.
Aliás… A convenção que lançou o ex-ministro Fernando Haddad ao Palácio dos Bandeirantes deixou claro que a estratégia do PT em São Paulo seguirá a velha premissa de que a melhor defesa é o ataque: criticar o governador Tarcísio de Freitas e o bolsonarismo.
- O objetivo central é reeleger Lula ainda no primeiro turno e levar a disputa estadual para o segundo turno, Beto Bombig e Fabio MuraKawa relatam no JOTA.
UMA MENSAGEM DA INDÚSTRIA BRASILEIRA (CNI, SESI, SENAI, IEL)
CNI mantém previsão de alta de 2% do PIB

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2% para 2026. Por outro lado, as estimativas para o desempenho dos setores produtivos foram revisadas, com a expectativa de crescimento da indústria passando de 1,6% para 2,1% e a da agropecuária, de 1,1% para 1,8%. Já o setor de serviços deve crescer 1,9%, ante a projeção anterior de 2,1%.
Na avaliação da CNI, o avanço da economia será liderado por setores menos sensíveis aos juros e ligados às commodities, como a indústria extrativa, impulsionada pela produção de petróleo, e a agricultura, que deve registrar safra recorde.
Por outro lado, fatores como a política monetária restritiva, a inflação de 5% e o quadro fiscal tendem a limitar uma recuperação mais expressiva da economia. Por isso, a CNI projeta duas reduções de 0,25 ponto percentual na Selic, para 13,75% no fim do ano.
2. Está no DNA

O inferno astral que foi o mês que antecedeu a convenção nacional do PL obrigou Flávio Bolsonaro a recalcular a rota que vinha traçando desde dezembro, Marianna Holanda e Grasielle Castro analisam no JOTA PRO Poder.
- Se antes buscava imprimir uma postura mais moderada para atrair o eleitorado de centro, deixou de lado esse papel para abraçar de vez o bolsonarismo raiz e buscar o legado eleitoral do pai.
🔭 Panorama: A convenção teve certo tom de melancolia ao relembrar a prisão do ex-presidente, as restrições impostas pelo STF e, óbvio, sua ausência da disputa.
- O senador se emocionou, prometeu honrar o pai e afirmou, como se ainda restassem dúvidas: “Posso ser mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado, mas aqui tem sangue de Bolsonaro”.
Os dias que antecederam a convenção também tiveram momentos de déjà vu.
- As lives que agora Flávio busca fazer em sua casa também são uma caricatura daquelas inauguradas pelo pai em 2018.
- Feitas de forma amadora, com a bandeira do Brasil pendurada ao fundo, com camiseta de time de futebol, e lendo notícias impressas da internet.
- Em outro momento, divulgou informações falsas sobre a urna eletrônica, algo que custou ao pai direitos eleitorais.
- O presidenciável também se apresentou como candidato anti-sistema e se queixou de suposta perseguição da imprensa, outros dois elementos clássicos do bolsonarismo raiz.
- Quando em uma live escalou o tom pra rebater acusações e xingou, foi comemorado por aliados por lembrar os traços paternos — a transmissão teve recorde de visualizações.
🔮 O que observar: Só apostar na fórmula do pai não garantirá vitória em outubro — até mesmo porque o próprio pai, buscando a reeleição, foi derrotado por Lula —, e a dificuldade de Flávio de romper o isolamento passa por dois caminhos.
- O primeiro é avançar nos eleitorados em que tem maior rejeição, como, em especial, as mulheres.
- Para isso, teve a tarefa de pedir desculpas de novo e buscar uma reconciliação com Michelle Bolsonaro, mas cuja relação ainda está longe de bons termos.
- Além disso, falou ao lado de sua esposa, Fernanda, e da mãe, Rogéria, num discurso repleto de gestos para mulheres.
- O segundo caminho é o político, o mais difícil até aqui.
- O petismo, com a máquina e a liderança nas pesquisas, conseguiu neutralizar de forma eficiente os principais aliados do bolsonarismo no centro, aqueles que respaldavam e legitimavam o clã na política tradicional.
- A federação União-Progressistas e o Republicanos estão distantes do projeto de Flávio.
3. ‘Antipetista raiz’

O PSD buscou demonstrar força e união ao lançar ontem (26) o ex-governador Ronaldo Caiado como candidato a presidente da República, Beto Bombig registra no JOTA.
- A convenção em São Paulo reuniu líderes regionais e procurou enfatizar que a chapa puro sangue do partido tem como objetivo vencer a eleição nacional apostando na rejeição a Lula e Flávio Bolsonaro.
🔭 Panorama: Para fazer Caiado decolar nas pesquisas, o PSD buscará transmitir a ideia de que a candidatura presidencial é “para valer”, tem o aval da maioria dos dirigentes da sigla e que ele é o único candidato de oposição a Lula com viabilidade para derrotar o petista.
- A mensagem embute uma estratégia simples: convencer o enorme eleitorado antipetista de que Flávio Bolsonaro perderá para Lula no segundo turno.
- Além de tentar demonstrar viabilidade eleitoral, Caiado também procurou se diferenciar de Flávio e subiu o tom das críticas ao filho de Jair Bolsonaro e à polarização entre PL e PT.
- Citou “rachadinhas” e “Banco Master” quando falava genericamente de escândalos de corrupção que assolaram o país nas últimas décadas.
- Caiado também se esmerou em criticar Lula como estratégia de ser firmar no cenário na condição de “candidato antipetista raiz”, pois enfrentou Lula na eleição de 1989, a primeira após a ditadura militar.
4. 🔺 Enquanto isso, em Minas

Segundo colocado nas pesquisas para o governo de Minas Gerais, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) intensificou articulações para ampliar sua base política e fechar uma chapa competitiva, Maria Eduarda Portela escreve no JOTA PRO Poder.
- O movimento ocorre em meio à indefinição do senador Cleitinho (Republicanos), líder das pesquisas.
- A demora do parlamentar em confirmar sua candidatura e consolidar alianças abriu espaço para o avanço das negociações entre seus principais adversários.
🔭 Panorama: A candidatura foi oficializada ontem (26), e o PDT conversa com PSDB, Solidariedade e PSB.
- Uma das principais negociações envolve os tucanos. Em troca da indicação do candidato a vice na chapa de Kalil, o PDT apoiaria a candidatura ao Senado do presidente nacional do PSDB, o deputado Aécio Neves.
- Ao mesmo tempo, o ex-prefeito tenta manter distância da campanha presidencial de Lula.
- Aliados avaliam que “colocar a estrela do PT” na campanha pode prejudicar Kalil, especialmente em regiões mais conservadoras do estado.
- Kalil enfrenta dificuldades para ampliar sua sustentação no Triângulo Mineiro e no sul de Minas, regiões onde Cleitinho concentra parte importante de seu eleitorado.
5. Temporada de caça ao tigrinho

O decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro para proibir publicidade de bets em espaços públicos acelerou uma reação em outras capitais e Assembleias Legislativas, André Rossi e Karol Bandeira escrevem no JOTA.
- Desde a publicação da medida, no dia 13, projetos com objetivo semelhante foram apresentados em nove Câmaras Municipais e em Assembleias Estaduais, segundo levantamento do JOTA.
- O movimento acontece em meio à pressão social por limites à publicidade de plataformas de apostas e jogos de azar.
🚫 Panorama: A maioria das iniciativas evita interferir diretamente no funcionamento das plataformas e se concentra na publicidade em mobiliário urbano, prédios públicos, eventos bancados pelo Poder Público, transportes e áreas sensíveis, como o entorno de escolas, para não atropelar competências da União.
- Porto Alegre e Vitória passaram a discutir restrições à publicidade de bets.
- No final de junho, projetos similares foram apresentados em Fortaleza e no Recife.
- Em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes disse que sancionará um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal, caso o texto seja aprovado pelos vereadores.
- A Prefeitura de Belo Horizonte editou decreto para proibir a divulgação de bets em espaços ligados ao município no mobiliário urbano, em concessões, permissões e autorizações municipais, e em eventos promovidos pelo Poder Público.
No plano estadual, propostas foram apresentadas em Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.
- O levantamento também identificou iniciativas anteriores à do Rio no Maranhão e na Paraíba.
- Em Alagoas e no Paraná, por exemplo, os textos miram a presença de marcas de bets em eventos financiados, apoiados ou patrocinados pelo Poder Público.
AGENDA BSB
6. Juros do consignado do INSS e mais
- O CNPS (Conselho Nacional da Previdência Social) tem reunião marcada para amanhã (28) e pode discutir uma redução do teto de juros do consignado do INSS. A intenção de baixar as taxas foi anunciada pelo ministro Wolney Queiroz no começo do mês. Procurado nos últimos dias, o Ministério da Previdência afirmou que o assunto ainda está em discussão na equipe técnica.
- O ministro Wolney Queiroz, da Previdência Social, concede entrevista ao JOTA hoje (27), às 17h. Ele discutirá o crédito consignado no país e também o futuro do sistema de aposentadorias e pensões. A conversa ocorre no momento em que o mercado e a sociedade em geral buscam informações sobre o plano econômico de um possível novo mandato do presidente Lula. Há dúvidas sobre como ficarão as regras previdenciárias e se elas podem passar por ajustes nos próximos anos.
- O governo divulga na quinta (30) o resultado do Tesouro Nacional referente a junho. O mercado espera mais um déficit nas contas públicas, o que fornece munição ao discurso de desequilíbrio fiscal feito pela oposição na pré-campanha eleitoral.As previsões dos economistas apontam para um déficit de R$ 45,2 bilhões. O número está no boletim Prisma Fiscal, que reúne as previsões do mercado coletadas pelo Ministério da Fazenda.
Na última semana, o governo melhorou a estimativa de resultado para as contas públicas em 2026. A atualização foi feita no último relatório bimestral de receitas e despesas, publicado na sexta (24).
O governo agora vê uma folga maior em relação ao piso de déficit zero da meta fiscal. Após os descontos autorizados pelo Executivo e pelo Judiciário, a previsão para o saldo está positiva em R$ 10,8 bilhões (ou 0,08% do PIB). No bimestre anterior, essa gordura estava em R$ 4,1 bilhões (ou 0,03% do PIB).
- O Conselho Curador do FGTS deve discutir em reunião amanhã (28) a distribuição de cerca de R$ 13 bilhões a 138,2 milhões de trabalhadores como resultado do fundo do ano passado. A iniciativa ocorre por deliberação do conselho — que reúne representantes do governo, dos trabalhadores e dos empregadores — desde 2017, durante o governo Temer.Os depósitos devem ser feitos até dia 31 de agosto, cerca de um mês antes do primeiro turno. Conforme mostrado pelo JOTA nesta semana, a medida se soma à série de iniciativas populares do governo, que busca amenizar a insatisfação com a economia e gerar resultados positivos nas pesquisas.
A rentabilidade total das contas foi de 6,9% no ano passado, acima do IPCA registrado em 2025, que foi de 4,26%. O resultado positivo do fundo foi de aproximadamente R$ 14,6 bilhões em 2025 e o valor representa 89% do lucro.