Garcia Pereira Advogados Associados

Os smartphones viraram uma infraestrutura transversal do trabalho. Na prática, o dispositivo organiza agendas, possibilita a comunicação com clientes, é uma ferramenta usada para a venda e compra de produtos e serviços, além de permitir o acesso a serviços bancários. O papel desse dispositivo ganha força em um país como o Brasil – com cerca de 39 milhões de trabalhadores informais, segundo a PNAD Contínua do IBGE. 

Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 62% dos internautas das classes CDE têm a internet como principal ferramenta de trabalho, enquanto 84% afirmam que ela é muito importante em suas vidas e gostariam de resolver tudo por meio dela, se pudessem. Isso significa que sem o aparelho, não há corrida, não há entrega, não há cliente. 

No entanto, para a população de menor renda, o acesso a um dispositivo adequado ainda é um obstáculo real. 90% das pessoas das classes DE dizem acessar a internet exclusivamente pelo celular, mas em geral com aparelhos com pouca memória e pacote de dados restrito. 

Aos desafios de acesso a um smartphone e à conectividade adequados soma-se um contexto financeiro adverso. O Brasil chegou a 2026 com 81,7 milhões de inadimplentes – alta de 38,1% em relação a 2016, de acordo com levantamento divulgado pela Serasa Experian em março deste ano. O endividamento cresceu mesmo em períodos de queda de juros, o que, para a Serasa, indica que o problema se tornou estrutural. Quase metade dos inadimplentes, 48%, tem renda de até um salário mínimo. Outros 30% recebem até dois salários mínimos.

Financiamento adequado à realidade brasileira

Nesse cenário de superendividamento, 7 em cada 10 brasileiros de baixa renda evitam ao máximo recorrer ao sistema financeiro formal, como apontou o estudo “Deep Dive Baixa Renda Brasileira”, produzido pelo Instituto Locomotiva. O motivo está na forma como as instituições financeiras se comunicam e na percepção que esse público tem sobre seu posicionamento: 46% concordam que os bancos utilizam uma linguagem de difícil entendimento, enquanto 55% acreditam que essas instituições não se interessam por clientes com menor poder aquisitivo. 

Esse contexto ajuda a dimensionar para quem essas soluções são direcionadas e por que precisam ser adaptadas à realidade desse público. O perfil do trabalhador na economia online  reforça a urgência do tema. Segundo a PNAD Contínua, 71,1% desses trabalhadores são informais – proporção bem acima da média geral do setor privado, de 44,3%. A maioria é homem (83,9%), tem entre 25 e 39 anos, e exerce o trabalho por plataformas como ocupação principal.

Entre inadimplentes e endividados, a nova economia composta por autônomos e microempreendedores depende do smartphone para trabalhar. É exatamente nesse contexto que a PayJoy atua. A companhia financia smartphones para pessoas que estão fora ou à margem do sistema de crédito tradicional, e o modelo de negócio foi justamente desenhado para evitar o agravamento da dívida, com previsibilidade contratual, ausência de multa e juros adicionais por atraso e garantia restrita ao aparelho. 

“O cliente conhece as condições desde o início, sabe exatamente o compromisso que está assumindo e não fica exposto a mecanismos que ampliem o valor devido ao longo do tempo”, afirma Wagner Mendonça, VP & Country Manager Brasil da PayJoy.

Mendonça reforça que falta de acesso a dispositivos adequados e conectividade estável, a economia digital corre o risco de aprofundar desigualdades. “Garantir esse acesso não é apenas inclusão tecnológica, mas condição básica para trabalho, renda e participação plena na vida econômica.” Os resultados demonstram isso: 65,8% dos clientes utilizam o aparelho para expandir seus negócios e 1/4 deles relata aumento de renda após a aquisição do dispositivo, indicam dados internos da companhia

Para o VP & Country Manager Brasil da PayJoy, a discussão não pode se limitar ao custo do crédito de forma abstrata. “É preciso considerar a finalidade do produto e as alternativas reais disponíveis para esse consumidor. Grande parte dos nossos clientes tem no smartphone uma ferramenta importante para trabalhar, estudar, acessar serviços e participar da vida econômica. Sem esse acesso, muitas pessoas enfrentam mais barreiras de inclusão”, afirma.