O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o candidato a governador com mais tempo de rádio e TV entre todos os candidatos de todos os estados nas eleições de 2026 no Brasil, segundo as regras da Justiça Eleitoral, mostra levantamento exclusivo do JOTA.
Tarcísio tem direito a 380 segundos (6 minutos e 20 segundos) de tempo de propaganda eleitoral, correspondentes à representatividade partidária da sua coligação em São Paulo, que reúne Republicanos, PL, MDB, Democrata, Avante, PSD, PRD, Solidariedade, União Brasil e PP. O único outro candidato em São Paulo que tem direito a tempo de TV no estado, Fernando Haddad (PT), tem menos de um terço do tempo, exatos 150 segundos (2 minutos e 40 segundos).
A propaganda eleitoral de governadores no rádio e na TV será exibida às segundas-feiras, quarta-feiras e sexta-feiras. No rádio, a transmissão é feita às 7h16 e às 12h16, enquanto na TV ela ocorre às 13h16 e 20h46. Os minutos calculados pela reportagem são diários, contando os dois períodos de transmissão, e foram feitos com base na Portaria 473 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Logo atrás de Tarcísio, em tempo de propaganda eleitoral, estão o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), também candidato à reeleição, com 360 segundos (6 minutos); e Hana Ghassan (MDB), governadora do Pará, com 355 segundos (5 minutos e 55 segundos).
Os primeiros lugares mostram um padrão recorrente, com os titulares dos cargos tendo mais tempo que os outros candidatos.
Além de SP, MS e PA, os governadores têm mais da metade do tempo de propaganda eleitoral na TV em outras cinco unidades da federação: Amapá (Clécio Luis Vilhena, do União Brasil, com 333 segundos), do Distrito Federal (Celina Leão, do PP, com 312 segundos), da Paraíba (Lucas Ribeiro, do PP, com 290 segundos), de Sergipe (Fábio Mitidieri, do PSD, com 283 segundos) e do Ceará (Elmano de Freitas, do PT, com 277 segundos).
Em outros estados, como o Acre (Mailza Cameli, do PP, com 268 segundos), o incumbente tem mais tempo, mas não chega a ter mais da metade.
E em muitos casos em que o governador não tem direito a maior exposição, o motivo é que ele não é candidato à reeleição — e seu indicado tende a ter mais tempo que outros candidatos. É o caso do Paraná, por exemplo, onde Sandro Alex (PSD), escolhido pelo governador Ratinho Junior (PSD) para sucessão, tem 266 segundos (4 minutos e 26 segundos), bem acima dos outros candidatos do estado.
Em apenas nove estados (um terço do total) o candidato da oposição detém mais tempo que o da posição — e em dois deles (RJ e AM) a posição é ocupada por governadores interinos, que assumiram após a cassação, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos governadores eleitos.
Os outros são Alagoas (João Henrique Caldas, do PSDB, com 299 minutos), Bahia (ACM Neto, do União Brasil, com 297 minutos), Pernambuco (João Campos, do PSB, com 261 minutos), Piauí (Joel Rodrigues, do PP, com 236 minutos) e Rio Grande do Norte (Alysson Bezerra, do União Brasil, com 249 minutos).
Minas Gerais, que viveu indefinição sobre os candidatos até a data limite para registro na Justiça Eleitoral, tem a maior distribuição de tempo entre os diversos candidatos. O governador Mateus Simões (PSD) tem 166 segundos; Patrus Ananias (PT) tem 115; Flávio Roscoe (PL), tem 102; Cleitinho Azevedo (Republicanos), tem 67; Gabriel Azevedo (MDB), tem 48; e Alexandre Kalil (PDT), tem 41.
O cálculo
O tempo de TV — mesmo para os presidentes e governadores — de cada candidato é calculado de acordo com a representatividade dos partidos e coligações, explica Rafael Copetti, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep) e professor de Direito da Faculdade de Direito da Associação Brasiliense de Educação (Fabe).
Do tempo total nos blocos de propaganda eleitoral — 9 minutos, ou 36% do bloco no caso dos candidatos a governador — 90% é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos em 2022 e os 10% restantes são divididos igualmente entre os partidos que superaram a cláusula de desempenho prevista na Emenda Constitucional 97, de 2017.
“Como já previsto na EC97/2017, as exigências vêm aumentando a cada ano. A regra válida no momento é que o partido tem que ter eleito, em 2022, pelo menos 11 deputados federais distribuídos em pelo menos 9 estados ou obtido 2% dos votos válidos em pelo menos 9 estados, com um mínimo de 1% de votos válidos em cada”, explica Copetti.
O levantamento do JOTA não considera o tempo de inserções de 30 e 60 segundos na programação — 14 minutos no total, para governadores —, que é distribuído seguindo a mesma lógica.
A limitação da cláusula de barreira também vale para a obrigatoriedade de convidar os candidatos para debates e para distribuição de recursos do fundo público de financiamento eleitoral.
“A lógica foi de privilegiar os partidos que efetivamente elejam candidatos e liminar a proliferação de partidos. Antes era comum você ver siglas muito pequenas negociando tempo de TV”, afirma Copetti.
Dos 510 deputados eleitos em 2022, somente 3 são de partidos ou federações que não atingiram os requisitos da cláusula de barreira.
O Brasil tinha 35 partidos em 2016, um ano antes da EC97/2017. O número não diminuiu tanto desde então — hoje são 30 — mas boa parte deles está agrupada em federações.
Segundo o TSE, a maior bancada (considerada para o cálculo) é a da federação do União Brasil com o PP, que tem 104 deputados. Logo atrás vêm o PL, com 98 eleitos. A federação do PT com o PCdoB e o PV tem 81 deputados. O PSD tem 42; o MDB, 41 e o Republicanos, também tem 41 candidatos. Outros 6 partidos ou federações que conseguiram passar pela cláusula em 2022 compõem a casa.
O tempo de TV e rádio é importante para eleger candidatos no Brasil desde a redemocratização, mas sua real influência passou a ser questionada em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito mesmo sendo o candidato à presidência com menos tempo de TV.
No entanto, estudos feitos desde então mostram que a propaganda eleitoral gratuita mantém relevância.
Um trabalho de 2025 dos pesquisadores Felipe Borba e Steven Dutt Ross, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e de João Francisco Meira, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), mostrou que, nas eleições municipais nos últimos 20 anos (entre 2004 e 2024), a chance de sucesso dos candidatos a prefeitos das capitais aumentou em função ao tempo de propaganda disponível a cada um deles.
Segundo a pesquisa, há um “efeito resiliente” do horário eleitoral na televisão, com um nível de exposição elevado.
Analistas políticos têm apontado também que a propaganda e as inserções na TV têm a capacidade de furar as bolhas formadas pelos algoritmos das redes sociais e chegar a eleitores indecisos.
Veja o tempo de TV dos candidatos a governador em todos os estados
Confira abaixo a lista completa de tempo de TV dos candidatos a governador*. Os candidatos não mencionados não terão tempo de propaganda de TV
Acre (AC)
- Mailza Assis (PP) — 4 min 28 s
- Thor Dantas (PSB) — 2 min 7 s
- Alan Rick (Republicanos) — 1 min 42 s
- Tião Bocalom (PSDB) — 43 s
Alagoas (AL)
- JHC (PSDB) — 4 min 59 s
- Renan Filho (MDB) — 4 min 1 s
Amapá (AP)
- Clécio (União Brasil) — 5 min 33 s
- Dr. Furlan (PSD) — 3 min 27 s
Amazonas (AM)
- Omar Aziz (PSD) — 3 min 33 s
- Roberto Cidade (União Brasil) — 2 min 28 s
- Professora Maria do Carmo (PL) — 1 min 48 s
- David Almeida (Avante) — 45 s
- Isael Munduruku (Rede) — 26 s
Bahia (BA)
- ACM Neto (União Brasil) — 4 min 57 s
- Jerônimo Rodrigues (PT) — 3 min 30 s
- Ronaldo Mansur (PSOL) — 32 s
Ceará (CE)
- Elmano de Freitas (PT) — 4 min 37 s
- Ciro Gomes (PSDB) — 4 min 23 s
Distrito Federal (DF)
- Celina Leão (PP) — 5 min 12 s
- Leandro Grass (PT) — 1 min 58 s
- Arruda (PSD) — 57 s
- Paula Belmonte (PSDB) — 28 s
- Cappelli (PSB) — 25 s
Espírito Santo (ES)
- Ricardo Ferraço (MDB) — 4 min 18 s
- Lorenzo Pazolini (Republicanos) — 2 min 54 s
- Helder Salomão (PT) — 1 min 49 s
Goiás (GO)
- Daniel Vilela (MDB) — 4 min 25 s
- Luis Cesar Bueno (PT) — 2 min 16 s
- Wilder Morais (PL) — 1 min 48 s
- Marconi Perillo (PSDB) — 31 s
Maranhão (MA)
- Orleans Brandão (MDB) — 4 min 1 s
- Felipe Camarão (PT) — 3 min 29 s
- Eduardo Braide (PSD) — 1 min 30 s
Mato Grosso (MT)
- Otaviano Pivetta (Republicanos) — 3 min 15 s
- Doutora Natasha (PSD) — 3 min 1 s
- Wellington Fagundes (PL) — 2 min 44 s
Mato Grosso do Sul (MS)
- Eduardo Riedel (PP) — 6 min 0 s
- Fábio Trad (PT) — 2 min 6 s
- Lucien Rezende (PSOL) — 29 s
- Delcidio Amaral (PRD) — 26 s
Minas Gerais (MG)
- Mateus Simões (PSD) — 2 min 46 s
- Patrus Ananias (PT) — 1 min 55 s
- Flávio Roscoe (PL) — 1 min 42 s
- Cleitinho Azevedo (Republicanos) — 1 min 7 s
- Gabriel (MDB) — 48 s
- Alexandre Kalil (PDT) — 41 s
Pará (PA)
- Hana Ghassan (MDB) — 5 min 55 s
- Dr. Daniel (Podemos) — 2 min 32 s
- Araceli (PSOL) — 33 s
Paraíba (PB)
- Lucas Ribeiro (PP) — 4 min 50 s
- Cícero Lucena (MDB) — 2 min 15 s
- Efraim Filho (PL) — 1 min 56 s
Paraná (PR)
- Sandro Alex (PSD) — 4 min 26 s
- Requião Filho (PDT) — 2 min 20 s
- Sergio Moro (PL) — 2 min 14 s
Pernambuco (PE)
- João Campos (PSB) — 4 min 21 s
- Raquel Lyra (PSD) — 4 min 3 s
- Ivan Moraes (PSOL) — 36 s
Piauí (PI)
- Joel Rodrigues (PP) — 3 min 56 s
- Rafael Fonteles (PT) — 3 min 43 s
- Dra. Lúcia Santos (PSDB) — 26 s
- Professor Gisvaldo (PSOL) — 24 s
- Gustavo Pelo Piauí ou Gustavo (Avante) — 16 s
- Elizeu Aguiar (Novo) — 16 s
Rio de Janeiro (RJ)
- Eduardo Paes (PSD) — 4 min 50 s
- Douglas Ruas (PL) — 2 min 30 s
- Garotinho (Republicanos) — 1 min 7 s
- William Siri (PSOL) — 33 s
Rio Grande do Norte (RN)
- Allyson (União Brasil) — 4 min 9 s
- Álvaro Dias (PL) — 2 min 23 s
- Cadu de Lula (PT) — 2 min 0 s
- Professor Roberio Paulino (PSOL) — 28 s
Rio Grande do Sul (RS)
- Zucco (PL) — 4 min 24 s
- Juliana Brizola (PDT) — 2 min 21 s
- Gabriel Souza (MDB) — 1 min 44 s
- Marcelo Maranata (PSDB) — 31 s
Rondônia (RO)
- Hildon Chaves (União Brasil) — 2 min 32 s
- Marcos Rogério (PL) — 2 min 6 s
- Expedito Netto (PT) — 1 min 44 s
- Adailton Furia (PSD) — 1 min 9 s
- Pedro Abib (MDB) — 1 min 5 s
- Samuel Costa (PSB) — 24 s
Roraima (RR)
- Soldado Sampaio (Republicanos) — 4 min 17 s
- Arthur Henrique (PL) — 2 min 9 s
- Rosi Aires (PSOL) — 2 min 6 s
- Farah Mesquita (Solidariedade) — 28 s
Santa Catarina (SC)
- João Rodrigues (PSD) — 3 min 12 s
- Jorginho Mello (PL) — 3 min 9 s
- Gelson Merísio (PSB) — 2 min 15 s
- Ralf Zimmer (PRD) — 25 s
São Paulo (SP)
- Tarcísio (Republicanos) — 6 min 20 s
- Fernando Haddad (PT) — 2 min 40 s
Sergipe (SE)
- Fábio (PSD) — 4 min 43 s
- Ricardo Marques (PL) — 2 min 17 s
- Valmir de Francisquinho (Republicanos) — 1 min 2 s
- Emanuel Cacho (PSDB) — 30 s
- Dr. Helton (PSOL) — 27 s
Tocantins (TO)
- Professora Dorinha (União Brasil) — 4 min 42 s
- Laurez Moreira (PSD) — 2 min 40 s
- Vicentinho Júnior (PSDB) — 1 min 10 s
- Prof Witer Naves (PSOL) — 28 s
* Alguns estados apresentam 1 segundo a mais na soma por arredondamento