Garcia Pereira Advogados Associados

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As disputas eleitorais de segundo turno em cinco estados e no Distrito Federal sinalizam, conforme as mais recentes pesquisas de intenção de voto, para uma ampliação da hegemonia da oposição à frente do Executivo das 27 unidades da Federação. 

Candidatos apoiados por Flávio Bolsonaro (PL) lideram as pesquisas de modo isolado em quatro UFs. Do lado do presidente Lula (PT), apenas um de seus candidatos está na liderança da maioria dos levantamentos divulgados até agora. 

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No Distrito Federal e no Espírito Santo, os candidatos que declararam apoio a Flávio na eleição presidencial lideram com folga e, portanto, têm boas chances de serem eleitos no próximo domingo (25/10).

No Acre e no Tocantins, a vitória da oposição é certa: todos os candidatos declararam apoio a Flávio. Os cenários de disputa mais acirrada ocorrem no Amazonas e no Rio Grande do Norte. 

Dos 21 governadores eleitos no primeiro turno, ao menos 13 são de oposição a Lula. Veja abaixo um panorama da disputa em segundo turno nos cinco estados e no DF. 


Acre

O cenário eleitoral demonstra a prevalência do campo conservador no estado. Ambos os candidatos ao governo declararam apoio formal a Flávio na disputa presidencial.

A atual governadora, Mailza Assis (União-PP), enfrenta o senador Alan Rick (Republicanos). No primeiro turno, a candidata à reeleição obteve 49,76% dos votos válidos contra 32,27% de seu adversário; ela ficou a menos de um ponto percentual de vencer na primeira fase.

Segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada na última terça-feira (20/10), Mailza aparece com 50% das intenções de voto contra 35% de Alan Rick. Brancos e nulos somam 11%, enquanto 4% não souberam responder. Entre os votos válidos, os percentuais são de 59% e 41%, respectivamente. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A atual governadora, que assumiu em março o cargo deixado por Gladson Cameli (União-PP), conta com o apoio formal do PL de Flávio na busca pela reeleição, mas seu adversário se apresenta como o legítimo representante do bolsonarismo no estado.

Assim, em termos político-eleitorais, a discussão central da disputa no Acre gira em torno de saber quem é o candidato mais ligado a Flávio no estado. Ou seja, as duas campanhas buscam colar sua imagem à do candidato do PL à Presidência da República.

Mailza defende a continuidade da atual gestão iniciada por seu antecessor, enquanto Rick fala em “renovação”. Para além das questões políticas, o debate eleitoral tem sido marcado pelas questões de infraestrutura do Acre e por propostas para a área da saúde.

No cenário presidencial, segundo pesquisa Quaest divulgada no último dia 13, Flávio tem 60% das intenções de voto, enquanto Lula registra 28%. Brancos e nulos somam 5%. Outros 7% não sabem em quem votar.

No primeiro turno, Flávio obteve 64,5% dos votos válidos contra 28,73% de Lula, o que ajuda a explicar o empenho dos candidatos ao governo de se aproximarem do presidenciável de oposição.


Amazonas

O senador Omar Aziz (PSD), apoiado pelo presidente Lula, aparece à frente da Professora Maria do Carmo (PL) nas principais pesquisas. O cenário estadual reflete a intensa polarização do segundo turno da eleição presidencial.

Aziz registra 46% das intenções de voto, conforme a pesquisa Real Time Big Data, da última terça-feira (20/10), enquanto Maria do Carmo pontua com 41%. Brancos e nulos representam 11% e outros 2% não souberam responder. Entre os votos válidos, o senador tem 53% e sua adversária, 47%. 

No primeiro turno, Aziz teve 40,6% dos votos válidos. Maria do Carmo recebeu 24,4%, seguida pelo atual governador Roberto Cidade (União-PP), com 21,9%, e por David Almeida (Avante), com 10,4%. 

O grupo do atual governador está apoiando, ainda que de maneira discreta, a candidata de oposição, enquanto Almeida se juntou publicamente à campanha de Aziz.

Diante da severa crise climática no estado, o meio ambiente tornou-se um tema urgente na reta final da disputa. O debate eleitoral está focado, sobretudo, nas queimadas e no desmatamento.

Flávio Bolsonaro fez campanha no Amazonas no último dia 19, acompanhado dos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Marcel van Hattem (Novo-RS). O presidenciável do PL deixou claro que eleger Maria do Carmo é uma das prioridades da oposição neste segundo turno.

A polarização obrigou Aziz a se aproximar ainda mais de Lula, que até agora não esteve no Amazonas na campanha do segundo turno. No entanto, vários atos de apoio ao petista e ao candidato ao governo estão sendo realizados e contam com a participação do grupo político ligado ao senador Eduardo Braga (MDB), reeleito para mais um mandato.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47% dos votos válidos no Amazonas, contra 45,1% de Lula.


Distrito Federal

Assim como no Amazonas, o segundo turno no Distrito Federal reflete a polarização do cenário presidencial. Porém, há uma tendência clara de vitória da candidata apoiada por Flávio.

A governadora Celina Leão (União-PP), do mesmo grupo político-eleitoral do presidenciável de oposição, lidera as pesquisas com larga vantagem sobre Leandro Grass (PT), o candidato de Lula. Entre os principais cabos eleitorais da líder dos levantamentos está a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL), casada com o ex-presidente Jair Bolsonaro e, portanto, madrasta de Flávio.

Pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira (21/10) mostra Celina Leão com 50% das intenções de voto. Grass aparece com 35%. Brancos e nulos somam 7%. Outros 8% afirmaram que não sabem em quem irão votar. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

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Na liderança da corrida pelo Palácio do Buriti, quando analisados apenas os votos válidos, a candidata tem 58,8% da preferência do eleitorado, enquanto o petista acumula 41,2%, conforme a pesquisa Quaest. Celina ficou muito perto de vencer ainda no primeiro turno, quando obteve 49,9% dos votos válidos, seguida por Grass, com 34,4%, e por Paula Belmonte (PSDB), com 8,5%.

O escândalo que envolve o banco BRB, controlado pelo governo do DF, e o banco Master, liquidado pelo Banco Central (BC), permanece no epicentro do debate eleitoral. O tema, no entanto, não tem afetado substancialmente as intenções de voto da governadora, apesar de Grass ter oscilado positivamente em algumas das recentes pesquisas.

O presidente Lula entrou pessoalmente na campanha por Grass. Na tentativa de equilibrar as forças com Michelle, no último dia 9 de outubro, o presidente participou de um ato eleitoral em Ceilândia. Durante a mobilização, o petista defendeu pautas como o fim da escala de trabalho 6×1 e comentou a crise no BRB.

No cenário presidencial, Flávio Bolsonaro tem 50% das intenções de voto, enquanto Lula registra 39%, segundo a mais recente pesquisa da Quaest. De acordo com o instituto, 6% dos entrevistados afirmaram que pretendem votar nulo ou em branco. Outros 5% não sabem em quem votar.

No primeiro turno, Flávio venceu Lula com 51,3% dos votos válidos contra 38,1% do petista.


Espírito Santo

No segundo turno, a disputa entre o atual governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) também reflete a polarização do cenário nacional. Lideranças do PT se engajaram na campanha do candidato à reeleição com um forte discurso contra o “bolsonarismo”.

Pazolini ficou à frente no primeiro turno com 49,65% dos votos válidos, contra 34,06% de Ferraço. Ou seja, o candidato de oposição esteve muito perto de liquidar a disputa e, segundo as mais recentes pesquisas, mantém favoritismo para ser eleito no próximo domingo.

De acordo com levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado na última quarta-feira (21/10), Pazolini registra 52,4% das intenções de voto, contra 39,8% de Ferraço. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais para mais ou para menos.

Os eleitores que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos somam 4,4%, enquanto 3,4% não sabem ou preferiram não opinar. Considerando apenas os votos válidos, Pazolini marca 56,8% e Ferraço atinge 43,2%.

No último sábado (17/10), Flávio esteve pessoalmente com Pazolini em um ato de campanha em Vitória, que contou ainda com o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O presidente Lula ainda não esteve no estado no segundo turno.

Se confirmada, a eleição de Pazolini vai tirar do poder no Espírito Santo o grupo do ex-governador Renato Casagrande (PSB), senador eleito pelo estado, de quem Ferraço era vice até março deste ano. Assim, o principal tema da campanha de segundo turno é o confronto direto entre a continuidade da atual gestão e um projeto de oposição.

No primeiro turno, o candidato do PT ao governo, Helder Salomão, ficou em terceiro lugar com 14,3% dos votos totais. O petista seguiu a orientação do partido e declarou apoio a Ferraço.

Na disputa presidencial, segundo pesquisa Quaest divulgada em 14 de outubro, Flávio tem 51% das intenções de voto, contra 38% de Lula. Eleitores que declararam que irão votar em branco ou nulo e que não escolheram nenhum dos candidatos somam 6%. Outros 5% afirmaram não saber em quem votar.

Na totalização dos votos do primeiro turno, o candidato do PL obteve 54,7% dos votos totais, contra 37,7% de Lula.


Rio Grande do Norte

O cenário eleitoral de segundo turno no Rio Grande do Norte aponta para uma disputa extremamente acirrada e em situação de empate técnico entre os dois candidatos. A disputa é entre o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União-PP), e o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu de Lula (PT).

Ambos avançaram até a fase decisiva após um primeiro turno definido por uma diferença de apenas 0,78 ponto percentual. No primeiro turno, Allyson obteve 36,94% dos votos válidos, enquanto Cadu de Lula registrou 36,16%. O candidato Álvaro Dias (PL), apoiado por Flávio, terminou em terceiro, com 26,71% dos votos totais.

Apesar de enfrentar um adversário ligado a Lula, Allyson preferiu não se alinhar diretamente a Flávio Bolsonaro. Uma das explicações é o resultado da disputa presidencial no primeiro turno no estado: o petista venceu com 59,75% dos votos válidos, contra 34,77% do opositor. Com essa decisão do candidato da federação União-PP, Álvaro Dias adotou uma postura de neutralidade.

De acordo com os mais recentes levantamentos, os candidatos estão empatados dentro da margem de erro no segundo turno. Segundo a pesquisa Real Time Big Data, divulgada na terça-feira (20/10), Allyson Bezerra tem 45% das intenções de voto contra 42% de Cadu de Lula. Brancos e nulos somam 9% e 4% não souberam responder. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Nos válidos, o ex-prefeito aparece com 52% e o petista com 48%.

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Como Allyson preferiu não se alinhar a Flávio e Cadu é ex-secretário da Fazenda da atual gestão estadual, comandada por Fátima Bezerra (PT), o principal debate eleitoral gira em torno da continuidade, representada pelo petista, versus a renovação, defendida pelo ex-prefeito de Mossoró.

No cenário presidencial, a pesquisa Quaest divulgada no último dia 13 mostra Lula com 59%, contra 33% de Flávio. Branco/nulo/nenhum somam 5%. Outros 3% dos eleitores do estado afirmaram não saber em quem votar para presidente.


Tocantins

Conforme as mais recentes pesquisas, o Tocantins é o único estado que deve apresentar uma virada em relação ao primeiro turno, vencido pela senadora Professora Dorinha (União-PP) com 45,52% dos votos válidos, enquanto Vicentinho Júnior (PSDB) obteve 43,94%.

Segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado no último dia 19 de outubro, Vicentinho Júnior tem 56,5% dos votos válidos contra 43,5% de Professora Dorinha. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

Um dos motivos que ajuda a explicar o resultado das pesquisas é o posicionamento do terceiro colocado no primeiro turno. O atual vice-governador do Tocantins, Laurez Moreira (PSD), que obteve 8,2% dos votos totais, declarou apoio a Vicentinho Júnior. Além desse fator decisivo, há descontentamento de lideranças políticas quanto a uma suposta “falta de diálogo” na coordenação da campanha da senadora. Como a candidata e seu adversário ocupam o mesmo campo ideológico, houve, assim, uma migração de apoios regionais em favor do tucano.

Em relação à disputa presidencial, tanto a senadora quanto Vicentinho Júnior declaram estar com Flávio Bolsonaro, que obteve 50,4% dos votos totais, contra 43,4% de Lula no primeiro turno.

Como Dorinha é apoiada pelo atual governo de Wanderlei Barbosa (Republicanos) e os dois candidatos permanecem alinhados a Flávio, o debate eleitoral também tem se mantido em torno do binômio continuidade versus renovação.