As campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) indicam que os dois candidatos devem participar de apenas poucos debates previstos até o primeiro turno. A estratégia é reduzir a exposição dos líderes das pesquisas em confrontos com adversários de menor competitividade e limitar os danos de imagem inerentes a esse tipo de evento.
Há convergência entre as duas campanhas. Na avaliação de ambas, colocar Lula e Flávio no mesmo palco que os demais candidatos daria aos adversários menores uma vitrine para confrontar os líderes da corrida, explorar um eventual erro ou declaração controversa para ganhar projeção nas redes sociais e no noticiário, ampliando sua exposição às custas dos favoritos.
Outro argumento é eleitoral. Em uma eleição polarizada e com o voto mais consolidado, as campanhas avaliam que os debates oferecem pouco potencial de ganho para os líderes da corrida e muito espaço para desgaste devido a assimetria de incentivos. Além disso, a maioria das pesquisas mostram que há poucos eleitores indecisos para conquistar, algo entre 3%-4%.
Os debates nivelam a exposição dos candidatos por algumas horas, reduzindo uma das principais vantagens de quem lidera as pesquisas. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), por exemplo, terão pouco espaço na propaganda eleitoral cotidiana. Nos debates, porém, poderão falar para a mesma audiência de Lula e Flávio Bolsonaro.
O que dizem os eleitores
A percepção do eleitorado, porém, é diferente.
Pesquisa nacional do instituto Vox Brasil, divulgada na última sexta-feira (31/7), mostra que 58,5% dos eleitores afirmam que pretendem assistir aos debates entre os candidatos à Presidência. Outros 32,7% dizem que não pretendem acompanhar os encontros.
Mais relevante é a percepção sobre seu impacto. Para 47,4% dos entrevistados, um debate pode levar um eleitor a mudar de voto. Já 28,3% afirmam que isso não acontece porque sua escolha já está definida. Outros 16,8% dizem que não assistem aos debates, enquanto 7,5% não souberam responder.
Na prática, os números da pesquisa indicam que mesmo em uma eleição marcada por preferências cada vez mais firmes, a maioria dos eleitores pretende acompanhar esses encontros e uma parcela expressiva acredita que eles ainda podem influenciar a decisão de voto, reforçando sua importância como espaço de avaliação dos candidatos e comparação de propostas.