O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou que não assinou a carta dos ministros aposentados pedindo “rigorosa apuração” sobre o escândalo envolvendo o ministro Alexandre de Moraes em respeito ao atual presidente, o ministro Edson Fachin.
“Se eu fosse presidente, não gostaria de receber uma manifestação dessas”, disse Marco Aurélio ao JOTA. “O ministro Edson Fachin sabe muito bem o que fazer.”
A carta foi uma reação à revelação das mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro após o ministro André Mendonça tirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal.
A manifestação foi assinada por treze ministros aposentados do STF — não subscreveram apenas Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski — o único a não ser procurado.
Marco Aurélio chegou a ser provocado pelo ministro aposentado Carlos Veloso para acompanhar os colegas na carta pública, mas a manifestação já estava redigida e o ministro preferiu não assinar.
Apesar de não adicionar seu nome ao documento, Marco Aurélio afirma que já tarda uma explicação à sociedade.
“Não dá para postergar para depois da eleição, a sociedade está esperando o pronunciamento, que deve acontecer em sessão pública”, disse o ministro. “A publicidade é a medula óssea da administração pública.”
“Não existe melhor desinfetante do que a luz do dia, como disse o ministro da Suprema Corte americana Louis Brandeis (1856-1941)”, disse Marco Aurélio.
‘Se arrependimento matasse’
Ele afirmou ainda que está muito triste e decepcionado com as notícias sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.
Marco Aurélio apoiou publicamente o nome de Moraes para ocupar uma vaga no Supremo quando o ex-presidente Michel Temer o indicou para a Corte, após a morte do ministro Teori Zavaski.
“Eu apoiei pelo perfil, porque ele é um homem douto. Mas se arrependimento matasse, eu não estaria falando com você hoje”, disse ele.
Marco Aurélio defendeu que o Supremo dê com urgência uma resposta para o problema e que os outros poderes não interfiram.
“Tenho falado e continuo dizendo que problemas do Supremo devem ser resolvidos no âmbito do Supremo”, disse ele.