Garcia Pereira Advogados Associados

O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (14/8) que tenta manter contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para realizar uma nova conversa “tête-à-tête”. Segundo Lula, um dos objetivos do encontro será pedir diretamente ao americano que não interfira nos assuntos internos do Brasil, sobretudo no processo eleitoral.

Na quinta-feira (13/8), o governo informou ter dado início ao processo de aplicação das medidas de reciprocidade contra os EUA por conta das tarifas impostas a produtos brasileiros. Apesar do aumento das tensões entre os dois países em meio ao tarifaço, o petista disse que espera preservar uma relação de diálogo com Washington.

Conheça o JOTA PRO Eleições, cobertura eleitoral especial do JOTA que oferece transparência e previsibilidade para empresas

“Estou tentando falar com ele, tentando manter o contato, porque quero ter uma conversa tête-à-tête. E vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, na questão da eleição”, afirmou. “Eu nunca me meti nas eleições dele, e ele vai se meter aqui?”, disse Lula. A declaração foi dada durante entrevista conjunta aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, realizada no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (14/8).

O presidente ainda não deu previsão de quando a conversa deve ser realizada e disse que pode demorar a ocorrer por dificuldades de agenda. “Quando a gente quer ligar para um presidente, às vezes demora um mês para marcar, porque não combina o horário, não combina a data. Mas vai marcar, pode ficar certa. E eu espero ter uma boa conversa com ele”, declarou.

Na entrevista, Lula fez uma dinstinção de Trump em relação aos integrantes de seu governo – especialmente o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio – que, na avaliação do petista, adotam uma postura mais hostil em relação ao Brasil e à América Latina. Lula relatou ter dito ao presidente americano que Rubio “não gosta do Brasil” e afirmou que Trump foi o interlocutor mais aberto em uma reunião da qual participaram outras quatro pessoas. “Quando terminou a reunião, eu falei para o pessoal: o Trump é melhor que todos eles, é o que conversa mais seriamente comigo”, disse.

Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email

Lula voltou a falar sobre a assimetria de forças entre Brasil e Estados Unidos. Disse que o país não dispõe do mesmo poderio militar ou econômico dos americanos, mas conta com a legitimidade de suas posições e com o apoio da população. “Eles têm avião em que cabe toda a América do Sul. Eu não tenho. Eu não tenho bomba atômica. O que eu tenho? A verdade, a minha consciência e a verdade do meu povo”, declarou. “Com mentiras, ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa.”

Sobre a decisão do governo de acionar a Lei da Reciprocidade, Lula disse que isso demonstra que o país está preparado para reagir e possui mecanismos próprios de defesa. “Entramos com a Lei da Reciprocidade para mostrar que a gente também não é pouca coisa”, afirmou.