Garcia Pereira Advogados Associados

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As apostas para qual será a equipe econômica de um eventual quarto mandato de Lula têm relação não só com o caminho que o governo deverá seguir, mas também com o “pós-Lula” na política.

Fernando Haddad enfrenta uma eleição difícil em São Paulo, com o governador Tarcísio de Freitas favorito, e nos bastidores é visto como futuro ministro da Casa Civil, caso Lula vença.

O ministro Bruno Moretti, do Planejamento, é exaltado pelo presidente como um solucionador de problemas. A análise completa de Fabio MuraKawa e Fábio Pupo segue nas duas primeiras notas.

Boa leitura e boa semana.


O PONTO CENTRAL

1. Sobe e desce

A equipe econômica de um eventual quarto mandato de Lula ainda não foi definida, mas é possível identificar movimentos que vêm ganhando força no governo e entre dirigentes do PT, Fabio MuraKawa e Fábio Pupo escrevem no JOTA PRO Poder.

  • Se confirmados, eles apontam para um cenário de continuidade da atual equipe, combinado com um ajuste fiscal gradual e o fortalecimento político de Fernando Haddad como herdeiro político de Lula.

O quadro é bem diferente do observado em 2022.

  • Naquele momento, havia uma ampla disputa de nomes para ocupar a Fazenda e uma grande expectativa sobre qual seria a orientação econômica do novo governo.
  • Agora, a avaliação predominante entre interlocutores do Planalto é que os principais formuladores da política econômica entregaram resultados suficientes para justificar a permanência, ainda que em funções diferentes.

🔭 Panorama: O desenho mais comentado começou a ganhar corpo ainda no início deste ano, quando Haddad deixou a Fazenda para disputar o governo paulista.

  • Um esboço propagado entre aliados do ex-ministro e interlocutores no Planalto é que, caso Lula seja reeleito, Haddad assuma a Casa Civil e se torne o principal coordenador político e administrativo do governo.
  • Para a Fazenda, um dos favoritos é Dario Durigan, atual ministro e um dos auxiliares mais próximos de Haddad.
  • Bruno Moretti consolidou-se como um dos principais formuladores na área fiscal e orçamentária — Lula costuma elogiar o ministro e já brincou que, enquanto Durigan aponta os limites do arcabouço fiscal, Moretti encontra recursos para novas políticas públicas.
  • Integrantes do governo o descrevem como um “superministro” na área orçamentária, responsável por arbitrar discussões entre diferentes ministérios e por coordenar boa parte das negociações envolvendo medidas fiscais.
  • Outra ministra bem posicionada para permanecer é Esther Dweck, vista como um dos quadros técnicos mais respeitados do governo.

🔮 O que observar: O desenho final da equipe econômica ainda depende de múltiplas variáveis — inclusive da coalizão partidária que sustentará um possível novo mandato de Lula.

  • A tarefa de acomodar aliados pela Esplanada pode respingar nas escolhas de ministérios-chave em nome da governabilidade.

UMA MENSAGEM DA 99FOOD

Restaurante avalia acordo de exclusividade como ferramenta de crescimento

Crédito: Hispanolistic/Getty Images

Os acordos de exclusividade parcial têm se mostrado uma estratégia positiva de crescimento no mercado de delivery. Bruno Salles, diretor de operações da Fábrica de Bolos Vó Alzira, comprova essa realidade. A participação do delivery nas vendas da rede passou de cerca de 20% para a faixa de 38% a 40% após a parceria com a 99Food.

Leia o texto completo no JOTA.


2. Além da organização

Haddad em evento de campanha em São Paulo / Crédito: Ricardo Stuckert

A eventual ida de Haddad para a Casa Civil também teria consequências que ultrapassam a organização administrativa do governo, MuraKawa e Pupo prosseguem na análise.

  • No PT, ela é vista como um passo importante na construção da sucessão presidencial de 2030.
  • O ex-ministro aceitou disputar o governo de São Paulo num movimento interpretado por aliados como um sacrifício político para oferecer a Lula um palanque competitivo no maior colégio eleitoral do país, mesmo diante do favoritismo de Tarcísio de Freitas.

Por que importa: Caso volte ao Planalto ocupando a principal função política do governo, Haddad passaria a concentrar ainda mais poder e visibilidade para liderar o partido no período pós-Lula.

  • Esse cenário, naturalmente, ainda pertence ao campo das especulações.
  • Mas o fato é que outros nomes que já foram tratados como potenciais sucessores perderam espaço ao longo dos últimos anos. Rui Costa e Wellington Dias deixaram de aparecer com frequência nesse debate.
  • Camilo Santana permanece como um dos poucos quadros petistas ainda lembrados para uma disputa nacional.
  • Há também quem veja no vice-presidente Geraldo Alckmin um nome com maior capacidade de construir consensos mais amplos no campo da centro-esquerda.
  • A principal dúvida, nesse caso, é se um candidato de fora do PT teria respaldo suficiente para liderar o partido depois da saída definitiva de Lula da política eleitoral.

3. Corredores vazios

O sol sobre o Congresso / Crédito: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

Apesar de a Câmara e o Senado estarem operando em esforço concentrado nesta semana, há expectativa de corredores esvaziados.

  • O motivo é que foram liberados os trabalhos em semipresencial, e os parlamentares estão focados nas campanhas.

Por que importa: Até o momento, a avaliação é de que nenhuma pauta central deve avançar, em especial no Senado.

  • Na Câmara, ao menos, haverá reunião de líderes amanhã (11).
  • As medidas provisórias que estão com prazo para agosto podem caducar, por dificuldade de votação numa semana tão esvaziada.
  • A da taxa das blusinhas é vista com prioridade pelo Planalto, mas ainda sem expectativa de andamento.

4. Conselho

Nunes Marques em sessão do TSE / Crédito: Luiz Roberto/TSE

O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, instituiu um conselho consultivo que reunirá especialistas de diversas áreas para tratar da integridade informacional nas eleições, Lucas Mendes registra no JOTA PRO Poder.

  • A composição ainda será definida por Nunes Marques.
  • A iniciativa deve reunir especialistas de setores como tecnologia e IA; segurança pública e crime organizado; imprensa; orçamento; relações internacionais; saúde pública e sustentabilidade.
  • Entre as atribuições do conselho está o acompanhamento de fenômenos relacionados à desinformação, incluindo uso indevido de IA, manipulação de conteúdo digital e disseminação coordenada de informações falsas ou descontextualizadas.
  • O grupo poderá fazer estudos, propor medidas para fortalecer a integridade das informações sobre o pleito, sugerir cooperações institucionais com órgãos públicos, privados e sociedade civil.

5. Milhões de processos

Mulher registra biometria com carteira de trabalho em cima da mesa / Crédito: Tony Winston/Agência Brasília

O número de novas ações ajuizadas na Justiça do Trabalho entre janeiro e maio deste ano aponta uma aceleração da litigiosidade trabalhista no Brasil, Mirielle Carvalho escreve no JOTA.

  • Cerca de 2,1 milhões novos processos foram protocolados na Justiça Especializada nos primeiros cinco meses de 2026, segundo dados do CNJ — aumento de 5,75% em relação a igual período de 2025.
  • Mais de 5 milhões de processos trabalhistas estavam pendentes de julgamento até o dia 31 de maio deste ano, data da atualização mais recente do painel do CNJ.

🏆 Maiores litigantes trabalhistas:

  • Os Correios lideram a lista como a empresa que mais é demandada no ramo do trabalho — segundo o Justiça em Números, a estatal tem cerca de 74.991 casos pendentes.
  • Em seguida vem a Caixa, com aproximadamente 68.015 processos pendurados.
  • O Bradesco é a terceira empresa mais demandada, com 56.316 litígios aguardando apreciação.
  • A Petrobras também aparece na lista, com cerca de 51.486 casos pendentes.

AGENDA BSB

6. IPCA, pauta do STF e mais

  • O IBGE divulga amanhã (11) o IPCA referente ao mês de julho. Será a penúltima divulgação antes das eleições, após os últimos indicadores terem mostrado alívio para o governo. A prévia da inflação, o IPCA-15 de julho, registrou alta de 0,06%, desacelerando em relação a junho (0,41%). O índice ficou abaixo das projeções do mercado, acumulando alta de 4,52% em 12 meses.Apesar disso, o resultado segue acima do teto da meta do Banco Central (até 4,5%). A mediana dos analistas ouvidos pelo boletim Focus aponta para um IPCA de 5,03% no acumulado do ano até dezembro.
  • O Copom vai detalhar a sua decisão de reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano na semana passada com a divulgação da ata amanhã (11), às 8h. No comunicado da decisão, o colegiado não sinalizou quais seriam seus próximos passos e apontou que a magnitude do atual ciclo, que já teve quatro cortes, vai depender de “novas informações”.
  • O Supremo deve analisar na quarta (12) as ADIs 7.774 e 7.775, que tratam da Moratória da Soja. Na primeira ação, a Corte vai discutir a liminar do ministro Flávio Dino que suspendeu processos na Justiça e no Cade que discutem a legalidade do acordo. A medida foi tomada após tentativas de conciliação entre produtores de soja e multinacionais exportadoras, que terminaram sem acordo.A segunda ação discute dispositivos de uma lei de Rondônia que proíbe benefícios fiscais a empresas que participam de acordos como a Moratória da Soja. O impasse envolve disputas econômicas sobre os efeitos do acordo, incluindo pedidos de indenização dos produtores e a possibilidade de aplicação de multas de até R$ 2 bilhões pelo Cade.
  • Na quinta (13), o Supremo realiza nova audiência de conciliação para tentar destravar uma possibilidade de empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do FGC ao BRB. A reunião será presencial, no gabinete do ministro Luiz Fux, e terá participação restrita às partes e representantes do Distrito Federal, do BRB, da União, da AGU, da Fazenda, do BC, do FGC, do Banco do Brasil e do MPF.
  • Também na quinta (13), o plenário do STF deve retomar o julgamento sobre a regulamentação da mineração em terras indígenas. A Corte vai analisar o referendo da decisão do relator, ministro Flávio Dino, que deu prazo de 24 meses para que o Congresso aprovasse uma lei sobre o tema. Enquanto o Legislativo não conclui a regulamentação, Dino estabeleceu regras provisórias para permitir a atividade, desde que haja autorização das comunidades afetadas e participação direta delas nos resultados financeiros.
  • A Casa JOTA, em Brasília, recebe representantes das principais campanhas presidenciais na quarta-feira (12), às 9h, em evento com patrocínio da Brasscom. O objetivo é ouvir as prioridades de cada candidatura em pautas relacionadas ao desenvolvimento digital do Brasil.O evento terá transmissão ao vivo pelo canal do JOTA no YouTube.