Garcia Pereira Advogados Associados

A inteligência artificial não elimina empregos por si só. Quem decide isso são as empresas, as políticas públicas e a regulação. A avaliação é da Marina Garrote, diretora de pesquisa do centro de pesquisas Reglab, para quem o debate sobre IA costuma oscilar entre um otimismo excessivo e um temor exagerado mesmo com as evidências disponíveis ainda limitadas. 

Em entrevista a Karol Bandeira, repórter de Tecnologia do JOTA, no terceiro e último episódio da série “Trabalho em Debate”, patrocinada pela Uber, Garrote afirmou que “não é a IA que gera perda de emprego, são decisões de empresas ou questões econômicas ou falta de políticas públicas”.

Ela citou casos recentes nos Estados Unidos em que demissões em massa foram inicialmente atribuídas à inteligência artificial, mas investigações jornalísticas posteriores mostraram que os cortes decorreram de reduções orçamentárias e contratações excessivas feitas durante a pandemia.

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Garrote também defendeu que a regulação da economia de plataformas siga a lógica adotada pela Convenção 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A primeira norma internacional do trabalho criada especificamente para as plataformas digitais estabelece um piso comum de direitos sem impor um modelo único para atividades que vão do transporte de passageiros a freelancers digitais.

A pesquisadora ressaltou ainda que o trabalho segue sendo uma atividade essencialmente humana, mesmo diante do avanço da automação. Para ela, “existe o humano por trás da ferramenta, quem tá fazendo a curadoria, quem tá fazendo o processo criativo, quem tá escolhendo o que tá bom, o que tá ruim, tudo isso é humano”. 

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