Garcia Pereira Advogados Associados

Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizem nos bastidores que a rejeição de Jorge Messias representa um “ato hostil” de parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A votação histórica não apenas surpreendeu, mas chocou interlocutores do Planalto que se deslocaram ao Congresso para acompanhar a sabatina do advogado-geral da União.

Apesar do sentimento de revolta em seu entorno, o presidente Lula não deve colocar mais gasolina no fogo. A postura, alinhada com o presidente e alguns de seus conselheiros mais próximos no início da noite, é não tratar a derrota como uma ruptura definitiva com Alcolumbre. Tampouco os discursos irão no sentido de que há uma crise institucional. Entretanto, alguns defenderão o retorno da retórica do “Congresso inimigo do povo”, para explicar à população que o Senado rejeitou um homem honrado, evangélico e sem máculas no currículo.

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Também nos bastidores, auxiliares de Lula veem duas motivações principais na atitude de Alcolumbre. A primeira é dar uma demonstração de força e enviar o recado de que, na atual conjuntura, não é possível ao chefe do Executivo fazer uma indicação ao STF com pouco ou nenhum diálogo com o comando do Congresso.

A segunda aponta para 2027, quando haverá nova eleição para a presidência do Senado. Na leitura de fontes do governo petista, Alcolumbre entrega ao bolsonarismo a cabeça de Messias e deverá completar o ciclo nesta quinta-feira com a derrubada dos vetos de Lula ao projeto da dosimetria.

A depender do resultado da eleição presidencial, caso Flávio Bolsonaro saia vencedor em outubro, um impeachment de ministro do Supremo também poderá estar no cardápio de Alcolumbre para viabilizar sua recondução ao comando do Senado, ainda na interpretação de fontes do governo petista. Por outro lado, se Lula for reeleito, Alcolumbre deve ter menos dificuldade para conseguir os votos da oposição.

Após a votação, Messias e articuladores do governo permaneceram cerca de uma hora na sala da liderança do PT no Senado. Ele concedeu entrevista coletiva e deixou a Casa acompanhado de José Guimarães, da articulação política do governo, rumo ao Palácio da Alvorada, onde encontrariam o presidente Lula.

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