Garcia Pereira Advogados Associados

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) chega à votação do segundo turno neste domingo (25/10) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e otimista com a perspectiva de uma vitória, apesar de ver o favoritismo diminuir ao longo das semanas. Filho mais velho de Jair Bolsonaro, ele surfou nos últimos meses num ambiente de antipetismo e conseguiu capitalizar para si o sentimento de mudança.

No entorno do candidato, a preocupação é de segurar o clima de “já ganhou”, inevitável diante da perspectiva de poder, que já leva aliados a discutirem nos bastidores nomes para ministérios. O otimismo no PL também vem do resultado do primeiro turno no Congresso, que deixou o partido ainda mais forte, reforçando a tese de que há um sentimento de mudança na sociedade.

Flávio continuou liderando as pesquisas no segundo turno, mas viu diminuir sua vantagem, diante de uma ofensiva nas ruas e nas redes da campanha petista nesta reta final. Ele teve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. A última pesquisa Datafolha antes do debate, divulgada na noite de quinta-feira (22/10), o colocava com 50,47% e o presidente com 49,53%. 

Com um discurso do medo, em especial pautado no retrocesso em políticas sociais que viria em um eventual governo Flávio Bolsonaro, o PT conseguiu levar milhares às ruas, com atos de proporções inéditas para a esquerda nos últimos anos. A esquerda também pautou o debate em redes sociais, arena em que o bolsonarismo costuma levar vantagem. 

A reação deixou a campanha de Flávio Bolsonaro acuada. Para responder às acusações de que um eventual governo cortaria benefícios sociais, o senador teve de intensificar promessas de um pacote de bondades, desde um reajuste acima da inflação para aposentadorias até a retomada do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) – extinto pelo alto custo e baixa efetividade, além de um grande volume de denúncias de fraudes. 

As promessas para a área social podem ter ajudado a reduzir o impacto da campanha petista, mas põem em xeque os esperados tesouraço e ajuste fiscal na casa de R$ 250 bilhões. Agora, aliados passaram a admitir, reservadamente, que o corte deva ser mais tímido do que o prometido.

Cabos eleitorais 

Na reta final, Flávio Bolsonaro concentrou esforços no Sudeste, região que reúne o maior colégio eleitoral do país, com agendas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Governadores eleitos no primeiro turno ajudaram nessa estratégia.

O principal deles foi Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo. No primeiro turno, o engajamento do governador era uma incógnita mesmo no seu grupo político. Além de não ser um político tradicional de campanha de rua, Tarcísio era o sucessor dos sonhos na direita para o mercado, setores produtivos e alas do mundo político, mas acabou preterido por Jair Bolsonaro. Apesar disso, atuou firme em eventos ao lado de Flávio Bolsonaro, pediu votos e deve ser recompensado com indicações para a Esplanada, caso o filho do ex-presidente seja eleito.

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Outro nome sobre o qual pairavam dúvidas quanto ao desempenho na reta final foi o de Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado mais votado da história, com alta capacidade de comunicação em redes sociais e mobilização de rua. O alto engajamento de Nikolas nas redes sociais foi alvo de questionamentos no Judiciário, após a Meta ter admitido falhas técnicas durante a eleição, que podem ter prejudicado a campanha petista.

Nikolas não apenas fez os “Bloquinho do 22” no seu estado, como levou essa modalidade de comício para o Nordeste na reta final, mesmo sem a presença de Flávio Bolsonaro.

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A perspectiva de poder aglutinou o campo da direita e arregimentou novos aliados, tão logo acabou o primeiro turno. Na primeira semana, Flávio contou com o apoio formal da federação União-Progressistas, além do Republicanos, do Novo e do Podemos. O movimento, ainda que não fosse uníssono nas legendas, caracterizadas por posicionamentos distintos regionalmente, ajudou a ampliar sua capilaridade nos municípios. 

Além disso, o apoio do centrão deu ao presidenciável peso político que, até então, faltava. Isolado politicamente, Flávio Bolsonaro teve de se lançar numa chapa puro-sangue com o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice. Com estes apoios, Flávio pode vislumbrar uma base maior no Congresso Nacional num eventual governo. 

A crise interna e externa na Suprema Corte serviu de combustível para impulsionar candidatos do PL ao poder nas eleições deste ano, com a promessa de retirar ministros do cargo e limitar suas atribuições. No segundo turno, porém, os ânimos entre ministros de lados opostos se acalmaram um pouco, o que também criou um terreno favorável para o crescimento de Lula.

Dentro da campanha de Flávio Bolsonaro, chegou a existir a avaliação de que, com a crise no STF fora de foco, o senador fluminense perdeu um grande “cabo eleitoral”. O plano de governo de Flávio detalha a reforma do Poder Judiciário defendida pelo grupo, que inclui o fim das competências criminais originárias do STF, a limitação das decisões monocráticas, a revisão do escopo das ADPFs, quarentena de um ano para indicação de ministros de Estado, impedimento de parentes de até terceiro grau e revisão das competências do CNJ e CNMP para limitar a atuação legislativa destas instituições.