Garcia Pereira Advogados Associados

É possível construir um planejamento estratégico de cinco anos olhando apenas para inflação, juros, câmbio, demanda, concorrência e tecnologia, quando decisões políticas e regulatórias podem alterar custos, investimentos e até a viabilidade de um negócio?

Em setores regulados, essa pergunta ganha ainda mais relevância porque o ambiente institucional interfere diretamente nas condições de competir, crescer, investir e desenvolver novos mercados.

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O ciclo eleitoral de 2026 torna essa análise especialmente relevante. Estarão em disputa a Presidência da República, os governos estaduais, as 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e 54 das 81 cadeiras do Senado, correspondentes a dois terços da Casa. O resultado das urnas poderá produzir mudanças nas prioridades dos governos, na composição e nas correlações de força do Congresso e, consequentemente, na formulação de políticas públicas, na agenda legislativa e no ambiente regulatório dos diferentes setores da economia.

Para as empresas, acompanhar esse processo não significa fazer apostas eleitorais, mas compreender como diferentes orientações de governo podem afetar as premissas consideradas no planejamento. Programas de governo, debates, entrevistas, declarações públicas e posicionamentos anteriores oferecem sinais sobre temas capazes de alterar o ambiente de negócios, as condições de investimento, a dinâmica competitiva e as prioridades regulatórias. Nenhum desses elementos permite prever exatamente o que acontecerá depois da eleição, mas sua leitura combinada ajuda a identificar movimentos que merecem atenção.

Relações Institucionais e Governamentais têm contribuição estratégica justamente por transformar essa leitura do ambiente político, legislativo, regulatório e institucional em inteligência para o negócio. Ao conectar informações externas às prioridades da companhia, a área ajuda a identificar temas relevantes, avaliar seus possíveis impactos e apoiar decisões relacionadas a investimentos, crescimento, proteção do negócio e gestão de riscos.

Essa capacidade ganha ainda mais importância em setores regulados, nos quais uma alteração normativa pode modificar condições concorrenciais, estruturas de custos, logística, tributação, acesso a mercados e retorno esperado de investimentos. Incorporar a dimensão regulatória ao planejamento permite que a companhia avalie antecipadamente seus impactos, prepare alternativas e identifique oportunidades antes que mudanças externas imponham decisões urgentes.

Essa leitura também precisa acompanhar a execução da estratégia, porque o ambiente considerado no momento do planejamento não permanecerá estático durante os anos seguintes. Mudanças políticas, econômicas, regulatórias, tecnológicas ou sociais podem alterar premissas importantes e exigir ajustes na forma como a organização protege seus negócios, direciona investimentos ou avalia oportunidades de crescimento.

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Mais importante do que tentar acertar antecipadamente qual será o ambiente político dos próximos anos é construir uma estratégia preparada para diferentes resultados eleitorais e configurações institucionais. Uma empresa deve ter capacidade para se relacionar de maneira técnica, transparente e institucional com qualquer governo eleito, compreender novas prioridades públicas e avaliar seus possíveis impactos sobre o negócio.

Planejamento estratégico não elimina incertezas, mas amplia a capacidade de administrá-las. Quando a leitura política, regulatória e institucional faz parte desse processo, a empresa toma decisões com uma visão mais completa do ambiente no qual pretende competir, investir e crescer.