A digitalização virou peça central da estratégia do Banco do Nordeste (BNB) para levar crédito a comunidades rurais distantes das agências físicas em grandes centros urbanos. A informação foi apresentada por Luiz Sérgio Farias Machado, superintendente de Agronegócio e Microfinança Rural do banco, durante o evento Nordeste do futuro: Microcrédito como motor de negócios e desenvolvimento, promovido pelo Estúdio JOTA com patrocínio do BNB, nesta quinta-feira (27/08), na Casa JOTA, em Brasília.
Segundo Machado, há comunidades atendidas pelo programa AgroAmigo situadas a mais de 400 quilômetros da agência física mais próxima, distância que representa custo de deslocamento e perda de dia de trabalho para o agricultor. Para reduzir essa barreira, o banco criou o AgroAmigo Digital, aplicativo pelo qual o cliente assina eletronicamente contrato, proposta de crédito, seguro e abertura de conta corrente.
“Mesmo diante da situação de analfabetismo que a gente enfrenta nesse público, hoje 80% dos contratos do AgroAmigo são assinados eletronicamente. Esse ano, em torno de 400 mil pessoas não precisaram se deslocar”, afirmou o superintendente.
Pelo aplicativo, o produtor rural também acompanha datas de pagamento e acessa uma agenda de planejamento, na qual pode registrar receitas e custos de suas atividades. “É por isso que eu digo que é crédito orientado e acompanhado”, pondera Machado.
Entre as ferramentas tecnológicas, o WhatsApp se consolidou como o principal canal de comunicação do programa. É por ele que o agricultor fala com o agente de crédito, recebe boletos com dez dias de antecedência e acessa o Fala AgroAmigo, série de vídeos mensais sobre gestão do negócio, questões ambientais e formação de reserva estratégica de alimentos para períodos de estiagem. “Não tem outra forma. O WhatsApp é o principal canal de comunicação hoje do AgroAmigo”, disse.
A digitalização caminha ao lado de outras frentes do programa, reunidas na estratégia AgroAmigo Cada Vez Melhor, que inclui linhas voltadas a acesso à água, mecanização, energia solar, conectividade e produção agroecológica. Machado cita ainda o desafio da universalização da internet no meio rural, hoje limitador tanto do acesso ao aplicativo quanto da permanência de jovens no campo. “Com a internet, eu posso levar a informação, posso ter uma assistência técnica massiva”, acrescentou.
Os números do programa, na avaliação do superintendente, comprovam o impacto do modelo. Em 21 anos, o AgroAmigo financiou R$ 53 bilhões em 9,4 milhões de operações, alcançando 17 milhões de pessoas direta ou indiretamente, com inadimplência de 2,1%, ante os 60% registrados no início do Pronaf B, antes da criação do programa. Somados ao CrediAmigo, de microcrédito urbano, os dois programas do BNB contratam hoje cerca de 19 mil operações por dia.
Vitor Santana, diretor substituto do Departamento de Promoção da Inclusão Produtiva Rural e Acesso à Água do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), avalia que essas ferramentas se conectam a outra frente estruturante da política pública para a agricultura familiar, o acesso à água.
Para ele, quando infraestrutura, crédito orientado e acompanhamento caminham juntos, o resultado vai além do financiamento pontual. “Não estamos somente financiando pequenos negócios locais, mas proporcionando autonomia, criando resiliência, ampliando as oportunidades”, afirmou.
Para Alison Ramon Santos e Silva, diretor de Apoio ao Empreendedorismo do MDS, que também participou do evento, a chegada de tecnologias simples ao pequeno empreendedor também representa avanço. “Hoje você chega em qualquer pequeno negócio e ele está lá com sua maquininha, com o Pix. Isso é inovação a partir de um programa global do governo”, destacou.
Assista ao evento na íntegra
Não foi tolerada qualquer forma de discriminação, injúria racial ou ódio neste evento.