A manifestação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na avenida Paulista pedindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes reuniu milhares apoiadores apesar do frio de 13º C na capital paulista.
Candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro disse que vai nomear cinco ministros do Supremo Tribunal Federal se for eleito, porque Moraes sofrerá impeachment.
“Eu vou indicar cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, porque Alexandre de Moraes vai cair”, disse o senador.
“Vou indicar homens e mulheres que sejam contra aborto, contra drogas, contra ideologia de gênero nas escolas”, disse Flávio, que falou também que pretende trabalhar para reduzir a maioridade penal.
Em vez de focar as críticas na instituição do Supremo, como nos protestos passados contra as prisões dos envolvidos no 8 de janeiro, a manifestação desta segunda foi direcionada especificamente à figura de Alexandre de Moraes, com o cuidado de separar as críticas a ele da instituição.
Flávio Bolsonaro chegou a dizer que é preciso “proteger o STF de Alexandre de Moraes” e que o Supremo “é maior do que” o ministro.
O senador também tentou associar Moraes a Lula em seu discurso.
“Livros de história vão dizer que acabamos com a ditadura de Moraes, que nós viramos a triste página do Brasil que é esse governo do PT”, afirmou Flávio.
“Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, disse Flávio. “Nós não vamos permitir que Lula indique mais quatro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal.”
Moraes foi nomeado ao STF pelo presidente Michel Temer (MDB), que assumiu após o impeachment de Dilma Rousseff.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro — pivô do escândalo de Moraes, mas também patrocinador do filme sobre a vida de Bolsonaro, Dark Horse, a quem Flávio Bolsonaro pediu dinheiro diretamente — quase não foi citado por nome durante o evento.
Somente o pastor Silas Malafaia fez referências diretas às conversas entre Moraes e Vorcaro presentes no relatório da Polícia Federal.
Sem Michelle Bolsonaro
Flávio Bolsonaro disse ainda que vai classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas — assim como fizeram os EUA.
A manifestação teve a presença de um boneco inflável de Donald Trump segurando um Pixuleco (um boneco de Lula com camisa de presidiário, usado em protestos na época da Lava Jato), em contraposição ao desfile oficial de 7 de setembro em Brasília, cujo tema empregado pelo presidente Lula foi a soberania do país.
De olho no voto feminino, Flávio Bolsonaro colocou a esposa, Fernanda, para falar brevemente antes de seu próprio discurso. A madrasta, Michelle Bolsonaro, não esteve presente para apoiá-lo.
Flávio Bolsonaro também lembrou dos oito anos do atentado a faca sofrido por Jair Bolsonaro em 2018 e disse que a prisão do pai “por crimes que não cometeu” foi a segunda facada.
“A missão do Bolsonaro, por força de Deus, passou para seu filho primogênito”, afirmou. “E vão tentar uma terceira facada não só em mim, mas nos meus aliados.
O evento também teve falas de aliados de Flávio Bolsonaro, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PL), o pastor Silas Malafaia e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).