Investigações internas, compliance e Inteligência Artificial (IA) são os temas que mais têm dado trabalho aos departamentos jurídicos de multinacionais da América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico. É o que aponta a sétima edição anual do General Counsel Report (Relatório do Consultor Jurídico), elaborado pela FTI Consulting em parceria com a empresa de dados jurídicos Relativity.
Segundo o levantamento deste ano, investigação interna foi o tipo de demanda mais comum do jurídico das organizações. O tema nem sequer integrava o top 7 de assuntos mais presentes no relatório de 2025. Violação de dados, que no ano passado dividia o pódio com violação de privacidade, foi para o segundo lugar em 2026.
Entre as áreas que mais requerem tempo dos departamentos jurídicos, monitoramento de compliance aparece em primeiro lugar (36% dos entrevistados marcaram esta alterativa). Em segundo lugar, estão as investigações regulatórias (34%), seguidas de roteiro/implementação de Tecnologia Jurídica (32%), outras atividades de estratégia de negócios (32%) e gestão de riscos e investigações internas (32%), empatados na terceira posição.
Os temas mais comuns em disputas judiciais e investigações são questões regulatórias e/ou outros assuntos criminais (37%). Na sequência, empatados com 34%, estão: questões de corrupção/crimes de colarinho branco, violações de dados, solicitações de acesso do titular dos dados, disputas de propriedade intelectual e investigações internas. As class actions, que seriam o equivalente às ações civis públicas brasileiras, estão em terceiro lugar (32%).
“As investigações corporativas têm se tornado cada vez mais complexas, impulsionadas pela crescente sofisticação de ataques e fraudes — muitas vezes envolvendo tecnologias digitais, engenharia social e operações transnacionais. Soma-se a isso o aumento da preocupação com gestão de riscos, proteção reputacional e um ambiente regulatório mais rigoroso”, afirma Antonio Gesteira, diretor executivo sênior de Consultoria Forense, Litígios e Tecnologia da FTI Consulting.
Riscos
No relatório de 2025, compliance regulatório foi o risco legal mais mencionado nas entrevistas qualitativas. A categoria manteve a primeira posição em 2026.
O segundo lugar do ano passado ficou com proteção de dados, e o terceiro com privacidade de dados. Os dois tópicos aparecem empatados na segunda posição de 2026. Já questões geopolíticas, que não apareciam antes, foram alçadas ao terceiro risco mais mencionado este ano. O tópico inclui tarifas econômicas, guerras, negociações comerciais, sanções e cadeias de suplemento.
Inteligência Artificial
Ainda que não tenha sido mencionada como uma categoria oficial da pesquisa, a inteligência artificial foi, de longe, o assunto mais citado espontaneamente como um risco ao longo das entrevistas. A menção à IA passou de 20% em 2024, e 9% em 2025, para 70% em 2026, figurando como o assunto mais expressivo na nuvem de palavras deste ano.
Além disso, a IA Agêntica, que se refere à Inteligência Artificial capaz de tomar decisões e agir automaticamente, é a prática para a qual os especialistas se sentem menos preparados (1,7 na escala da preparação). Logo depois, vem blockchain/cripto (1,77) e geração de vídeos por IA (1,93)
Metodologia
A pesquisa, que teve etapas qualitativas e quantitativas, entrevistou mais de 200 diretores jurídicos e conselheiros gerais de organizações com faturamento anual superior a US$ 100 milhões e mais de mil funcionários na América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico. As entrevistas foram realizadas em 2025.