Garcia Pereira Advogados Associados

O Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou, em um mês, R$ 1.061.188,37 com anúncios nas redes sociais Facebook e Instagram sobre o fim da escala 6×1. O valor representa 16,7% do total direcionado para a plataforma Meta no período, que foi de R$ 6.324.540,00.

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Os dados se referem ao intervalo entre 26 de abril e 25 de maio. No dia 27, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221/2019, que reduziu a jornada de trabalho de 44 para 40 horas de trabalho, garantindo dois descansos remunerados por semana, sendo um deles preferencialmente no domingo. O texto agora precisa ser apreciado pelo Senado Federal.

No total, os aportes realizados pelo governo para promover a proposta totalizaram R$ 80 milhões em diversos meios de comunicação. As ações integraram a campanha “Tempo com a Família”, lançada no começo de maio.

Um dos anúncios de maior alcance no período custou entre R$ 100 mil e R$ 125 mil e atingiu mais de 1 milhão de impressões, que correspondem ao número de vezes que um post aparece em uma tela (o que pode incluir várias visualizações pela mesma pessoa).

O anúncio veiculou uma animação com personagens da elite brasileira desde 1925. No vídeo, os personagens se posicionam contra medidas como o salário mínimo e o 13º salário, ao argumentar que, com a introdução dessas medidas, o país iria quebrar. “Spoiler: o Brasil não quebrou. E não vai quebrar!”, diz a legenda, em referência ao fim da escala 6×1.

Uma das principais bandeiras eleitorais do Partido dos Trabalhadores para este ano, a PEC 221/2019 foi originalmente proposta pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A versão aprovada pela Câmara foi um substitutivo do relator Leo Prates (Republicanos-BA). Em 2025, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) também havia apresentado uma proposta sobre o assunto.

Dado o apelo popular, alguns deputados da oposição que eram críticos à ideia acabaram mudando de lado e votando pela aprovação. Foi o caso de Nikolas Ferreira (PL-MG), expoente do bolsonarismo, que, pouco antes da votação em plenário, chegou a defender a redução de escala para 4×3. Dos 90 parlamentares do PL que compareceram ao segundo turno da votação na Câmara, 81 se declararam favoráveis à redução.

O deputado Fausto Pinato (União-SP) chegou a trocar de posicionamento durante a sessão parlamentar: votou contra o texto no primeiro turno e a favor no segundo.

Presença nas redes

Segundo a Secom da presidência, o reforço do uso das redes sociais para divulgação das ações do governo “reflete os novos hábitos de consumo de mídia da população na hora de buscar informações, com aumento do tempo dedicado à navegação nesses canais”. A secretaria também ressalta que a distribuição dos investimentos em publicidade é “disciplinada pela legislação vigente e segue critérios técnicos definidos pela Instrução Normativa nº 2/2023”.

O professor Paulo Niccoli Ramirez, cientista político da ESPM, disse ao JOTA que, apesar do investimento do governo em anúncios, a esquerda ainda é muito menos estratégica em relação a redes sociais do que a direita. “Os partidos de esquerda, o PT, inclusive, são partidos que ainda estão muito aquém em relação à maneira como grupos de direita, principalmente os bolsonaristas, têm usado as redes sociais”, falou.

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Segundo ele, a internet acabou se transformando na grande ferramenta de consolidação e expansão de ideologias políticas. “E eu diria que o PT demorou muito para conseguir se inserir dentro dessas novas lógicas de propagação de informações”, avalia.

Ramirez nota que a lógica das redes sociais permite que mesmo as pessoas contrárias ao conteúdo veiculado compartilhem informações, aumentando o engajamento. “Nos meios de comunicação tradicionais, o indivíduo simplesmente recebe a mensagem, é um receptor”, diz. Já a internet permitiria outros tipos de ações em torno das propagandas.