Se o dia no Supremo Tribunal Federal (STF) começou com o anúncio de um posicionamento público de Alexandre de Moraes, as horas seguintes caminharam em sentido contrário: a declaração de Moraes foi suspensa, a sessão plenária, cancelada, e uma agenda cheia de reuniões a portas fechadas. O presidente do STF, Edson Fachin, reuniu-se com os pivôs da crise – André Mendonça e Moraes –, com outros ministros e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O centro das conversas foi o julgamento da próxima terça-feira (15/9), dia em que os ministros vão analisar se abrem ou não inquérito contra Moraes após um relatório da Polícia Federal trazer à tona mensagens trocadas e supostos encontros entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente por fraudes no Banco Master. Fachin também disponibilizou aos gabinetes a cópia integral da investigação.
Por ser uma situação inédita, ainda existem dúvidas sobre os detalhes do rito. Uma das questões é se a sessão será aberta ou fechada. Um ministro falou reservadamente ao JOTA que Fachin tem expressado o desejo pela sessão pública. Entre outras questões em análise estão, por exemplo, se o PGR fará sustentação oral e se Moraes terá que ser representado por um advogado.
Ao marcar a data do julgamento, o presidente da Corte estava ciente dos desafios. Por isso, resolveu abrir uma nova roda de conversa com os pares. Também se reuniram presencialmente com o presidente os ministros Nunes Marques, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Dias Toffoli nesta quinta-feira (10/9), após o cancelamento da sessão.
Mas antes dos encontros, o primeiro ato do “day after” foi o anúncio do pronunciamento de Moraes – que pegou o tribunal de surpresa. Ainda na noite de quarta (9/9), Moraes comunicou a pessoas próximas que faria a declaração no dia seguinte.
Logo pela manhã, a imprensa foi informada. Contudo, a manifestação acabou se frustrando. O ministro foi convencido por aliados de que não seria uma boa estratégia e poderia até prejudicá-lo na sessão do dia 15. Pesou também a operação da PF, autorizada por Flávio Dino, que realizou buscas e apreensões contra o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e outras pessoas em apuração sobre o uso de recursos públicos no filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.