Um relatório da Polícia Federal sobre as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro mostra mensagens em que o ex-banqueiro diz ter uma “dívida de vida” com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
As mensagens no documento ainda citam outras autoridades, como o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Passos. Leia a íntegra do relatório da PF sobre as interações do ministro Alexandre de Moraes e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O relatório tem 218 páginas, com diversas mensagens que registram encontros entre Vorcaro e Moraes ao longo de 2024 e 2025 — após a assinatura de um contrato entre o ex-banqueiro e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
A investigação da Polícia Federal aponta ainda que Vorcaro negociou a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como pagamento por um segundo contrato com o escritório de Viviane.
As mensagens também tratam da organização de um evento em Londres em 2024.
Em um dos trechos, em uma conversa no dia 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Um dia antes Vocaro escreve a Moraes: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda a minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nós, tem uma divida de vida contigo e sua família”.
Em outra mensagem, Vorcaro diz a Moraes que mobilizou “gente pesada” e diz que mostrou até carta da família real de Abu Dhabi. O diálogo se dá em um contexto que Vorcaro estaria tentando negociar o Master com investidores estrangeiros e queria que a PF e Moraes tentassem conter qualquer operação contra ele e a instituição financeira. Vorcaro também pergunta ao ministro: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
A própria PF ressalva que, dado o prazo de 72 horas para responder à requisição judicial de Mendonça, a análise das mensagens no celular não é exaustiva — só foram destacadas menções nominais diretas, podendo haver referências indiretas ainda não identificadas.
O relatório também aponta o envio de uma mensagem de visualização única de um contato salvo no celular de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA” para o ex-banqueiro no dia em que ele foi preso, 17 de novembro de 2025.
O documento foi elaborado pela PF e teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, que é relator dos processos relacionados à Operação Compliance Zero. A operação investiga fraudes em operações de cessão de carteiras de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília.
Mendonça liberou o caso para apreciação pelo plenário do STF e pediu a manifestação da PGR.
O JOTA entrou em contato com as assessorias do STF, da PGR e da PF e ainda não obteve retorno.
O escritório de Barci de Moraes enviou nota afirmando que o contrato foi assinado porque o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o que configuraria inexistência de impedimentos legais para a contratação.