Texto originalmente publicado no Medium.
Início de ano é tempo de quê? Planejamento, metas, avaliação do ano que passou. Ainda ecoando a pergunta da Simone — “Então é Natal, e o que você fez?” — , resolvemos refletir sobre 2021 e preparar uma retrospectiva. Elencamos os aprendizados que nos fizeram crescer e que nos preparam para um 2022 ainda melhor. Vem com a gente saber o que rolou!
1. Foco
Quem conhece as dores e as delícias de trabalhar em uma startup sabe que as ideias e iniciativas brotam a todo instante, são muitas hipóteses que precisam de validação e existem vários pratos para serem equilibrados ao mesmo tempo.
O JOTA engloba dois mundos bem complexos e diferentes que são o jornalismo e a tecnologia. Criamos soluções que envolvem esses dois contextos com o intuito de tornar as instituições brasileiras mais previsíveis para os nossos assinantes e usuários. Além de precisar manter a operação dos nossos serviços de jornalismo com a qualidade que é marca do JOTA, também enveredamos no desenvolvimento de produtos digitais, como o Aprovômetro e o Carf Previsível. No início de 2021, eram várias frentes rodando em paralelo, cada uma com seu backlog, sua sprint, mas sendo executadas pelo mesmo time.
Em certo ponto do caminho, decidimos FOCAR. Por mais que alguns produtos sejam promissores, precisamos concentrar esforços na iniciativa mais importante, que nos levará a atingir nossa visão. Não é fácil tomar essa atitude, de parar ou pausar, ainda que momentaneamente, algo em que acreditamos e sobre o que depositamos esforço, tempo e confiança. Mas os resultados que alcançamos com o foco em um só propósito são notáveis. A equipe ganha em produtividade, o objetivo e o contexto são mais bem compreendidos, as interações com outras áreas se torna mais transparente.
E isso nos leva a um ponto da rotina de produtos que não é trivial: dizer não para uma coisa, às vezes, é a única forma de avançarmos em outra.
2. Métricas
Demos muitos passos em frente também no quesito ‘métricas’. Não estávamos no ponto zero, mas em 2021 passamos a ter uma visão mais voltada a ações e eventos dos usuários do que simplesmente rastrear as páginas visitadas e o tempo na página.
Enquanto empresa, queremos muito avançar no “jogo da atenção” (quanto tempo os clientes estão dispostos a gastar no nosso produto?) e ingressar no “jogo da produtividade” (com que eficiência/eficácia os clientes estão conseguindo a informação que vieram buscar no JOTA). Para isso é fundamental entender melhor o comportamento dos usuários em nossos produtos.
Nesse processo de aprendizado, passamos a utilizar o Mixpanel como ferramenta para nos auxiliar na coleta e monitoramento de métricas importantes. As siglas DAU, WAU e MAU passaram a compor o dicionário não apenas da área de Produtos, mas de toda a empresa –usuários ativos por dia, semana e mês, respectivamente, em suas siglas em inglês.
Além disso, o interesse dos usuários por determinados assuntos, seja consultando-os diretamente ou por meio de buscas, dá à equipe de jornalistas a possibilidade de entender melhor o interesse e produzir conteúdos cada vez mais relevantes. Ou seja, atualmente as métricas direcionam ações, experimentos e assim vamos retroalimentando a engrenagem em busca de um produto com melhores índices de engajamento, retenção e uso.
Ainda há um bom caminho a ser percorrido quanto às métricas, desde coletar dados de diferentes canais de entrega de forma mais unificada até realizar discussões sobre se devemos ou não ter uma North Star Metric e qual seria ela.
3. Prototipação rápida e entrega de valor
Agilidade é sobre entrega rápida de valor. É sobre validar mais cedo e ir aprendendo. Podemos dizer que no JOTA, em 2021, essa foi uma lição aprendida e muito exercitada.
Começamos pela escrita das user stories. A nossa organização anterior das tasks era um pouco solta, sem levar tanto em consideração o objetivo final de cada atividade que entrava na sprint. A primeira mudança vital foi ter um acordo com o time quanto aos objetivos das sprints e passarmos a escrever a maioria das tarefas como parte de uma história de usuário que entrega valor, declarando explicitamente quais os benefícios serão atingidos e para quem. Essa pequena grande mudança na organização e escrita dos itens que entram na sprint foi capaz levar o time de um ponto em que não sabiam exatamente o porquê das tarefas soltas que executavam ou como elas ajudariam o JOTA a progredir, para um ponto de colaboração, discussão e um alinhamento muito maiores.
Além disso, outro aspecto da entrega de valor que foi muito executado foi a prototipação rápida para validação, bem como a simplificação de soluções que resolvem uma dor real dos usuários. É muito fácil nos perdermos tentando criar soluções perfeitas e super completas, que levam muito tempo para serem construídas e que falham na entrega de valor. A prototipação rápida, usando ferramentas de design como a dupla Figma e Maze, ou a criação de funcionalidades usando frameworks e produtos que aceleram a entrega fizeram muita diferença neste ano. Conseguimos validar ideias e soluções sem termos escrito nem uma linha de código e conseguimos também entregar valiosas análises de dados mais rapidamente usando Power BI, planilhas/banco de dados e uma boa UX.
4. MVP
Tudo o que falamos acima também tem a ver com o conceito de MVP. Mas resolvemos deixar separado aqui para explorar melhor. Lembra do foco sobre o qual falamos no primeiro tópico deste artigo? Pois bem. Focamos no desenvolvimento de um produto chave para todas as entregas do JOTA. E para validar a ideia deste produto, construímos um MVP ou Mínimo Produto Viável.
Nosso MVP se concentrou em apenas uma das personas que atendemos, em uma das entregas de conteúdo que realizamos e foi pensado para atender dois objetivos principais dos usuários: se manter informado sobre os novos conteúdos tributários produzidos pelo JOTA, bem como possibilitar a consulta no acervo de conteúdos já produzidos. Percebeu como o escopo estava bem definido, com os objetivos que queríamos alcançar, uma persona bem-definida?! Não foi simples chegar nessa especificidade toda. Foram algumas discussões e debates, lutando com a vontade de fazer tudo de uma vez, de tomar decisões arquiteturais e complexas em um momento em que o vital era validar apenas a ideia. No fim deu tudo certo. Equipe comprometida com o escopo e objetivo do MVP, versão entregue e validada. Seis meses depois disso, já estamos com a release 1 do produto finalizada e é inegável o aprendizado que tivemos com essa estratégia.
5. Personas, conselho de clientes e card sorting
Outro preceito da agilidade é estar sempre em contato com os usuários, aprendendo sobre e com eles. Isso a gente sempre fez, mas em 2021 usamos algumas técnicas para estreitar o relacionamento e usar a expertise obtida no desenvolvimento dos produtos.
Uma das primeiras ações nesse sentido foi entender melhor uma macro-persona que tínhamos. Como você deve saber, o JOTA atua na cobertura dos Três Poderes em três diferentes verticais (Poder, Tributos e Saúde). E, por meio de conversas anteriores com assinantes da vertical de Tributos, fomos percebendo diferenças relevantes que nos indicaram que tínhamos características diferentes em uma mesma persona. A partir de então, resolvemos aprofundar no entendimento dela, conversando ainda mais com os usuários e logo logo chegamos em uma definição adequada que nos ajudou muito a direcionar ações, conteúdos e a priorização de funcionalidades que melhor atendem a estes usuários.
Outra iniciativa voltada à proximidade com nossos clientes foi a criação de um conselho de usuários, com o objetivo de facilitar a captura de feedbacks e a realização de validações. Em troca os usuários foram beneficiados com alguns serviços do JOTA, além de brindes e da possibilidade da ampliação de sua rede de contatos com pessoas da mesma área e de outras empresas/indústrias.
E, por último, usamos toda essa proximidade construída com os clientes para aplicar a técnica de card sorting, a fim de entender o modelo mental dos usuários na organização dos conteúdos produzidos pelo JOTA, e assim, conseguir projetar uma estrutura de menus alinhada às necessidades e expectativas dos usuários.
6. Visão e estratégia
Algo em que trabalhamos arduamente foi na declaração da visão do nosso produto principal, bem como na documentação e comunicação da estratégia para toda a empresa. Não foi só criada uma visão e estratégia, mas também organizada e comunicada, pois era algo que estava na mente da diretoria e de alguns outros stakeholders chave da organização.
O alinhamento resultante dessas ações foi algo muito enriquecedor para todos, possibilitando uma tomada de decisão sobre os rumos do produto de forma mais rápida e embasada.
Olhando para trás, parece que vivemos 5 anos dentro de 2021. Usamos melhores práticas de produtos, aprendemos técnicas novas, planejamos, erramos, consertamos a rota. Mal conseguimos esperar para seguir nesta evolução para enfrentar os desafios ainda maiores que se apresentam em 2022.
Artigo escrito com a edição e colaboração da Paty Gomes.