A dois meses do primeiro turno da eleição presidencial, os Estados Unidos apertaram o torniquete diplomático e revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
A medida equivale à expulsão da diplomata do país e representa mais uma escalada na tensão com o governo Lula, Vivian Oswald escreve na nota de abertura.
Em âmbito doméstico, a campanha petista trata as revelações sobre repasses de uma lobista citada na CPMI do INSS ao ex-chefe de gabinete de Lula como um dos episódios que apresentam maior potencial de desgaste desde o início da disputa.
Na principal campanha adversária, do senador Flávio Bolsonaro, o nome do também senador Rogério Marinho (PL-RN) ganhou forca para ser anunciado nas próximas horas como vice na chapa.
A campanha buscou alguém de outro partido, especialmente uma mulher, mas, na dificuldade de encontrar alguém que preencha todos os critérios considerados ideais, Marinho torna-se favorito.
O anúncio será feito pelo candidato hoje (5), às 11h, em coletiva de imprensa em Brasília.
Boa leitura.
O PONTO CENTRAL
1. Às claras
Os Estados Unidos dobraram a aposta na interferência no Brasil, Vivian Oswald escreve no JOTA.
- Em anúncio ontem (4), o governo Donald Trump confirmou a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, a diplomata Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Por que importa: A medida equivale à expulsão da diplomata do país, ainda que o Departamento de Estado tenha afirmado que a representante brasileira poderá permanecer em solo norte-americano mesmo sem visto válido.
- E representa mais uma escalada na tensão com o governo Lula, alvo de críticas diretas de Marco Rubio, secretário de Estado de Trump cujo interesse pela América Latina inaugurou uma nova era de intervenções dos Estados Unidos na região.
🔭 Panorama: A justificativa oficial é que o governo Lula demora em dar o aval para o novo embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Daniel Perez.
- Perez foi indicado em junho pelo governo Trump para ocupar a embaixada do país em Brasília, mas o pedido de autorização para o governo brasileiro — procedimento chamado de agrément — só veio um mês depois.
- Isso representou uma quebra da prática diplomática, já que o aval é pedido antes da indicação, que só é feita após a autorização concedida.
- Como Washington resolveu romper com a tradição e oficializar a indicação antes de pedir o aval, o governo Lula decidiu postergar a resposta.
- Com a proximidade das eleições e o apoio de Rubio e Trump a Flávio Bolsonaro, existe um receio de que o novo embaixador tenha atuação no processo eleitoral.
- Na sabatina no Senado dos Estados Unidos, Perez declarou que, caso assuma o cargo, trabalhará por “condições que permitam eleições livres e justas e a liberdade de expressão, pois um Brasil estável e democrático é um parceiro melhor para os Estados Unidos”.
- Outro ponto de desgaste foi a recente negativa de vistos a dois funcionários norte-americanos que viriam ao Brasil para discutir o sistema eleitoral.
Os Estados Unidos seguem esgarçando a relação bilateral, que já não vai bem.
- Na leitura do governo brasileiro, o ineditismo das decisões recentes dos Estados Unidos confirma a intenção de Washington de interferir no processo eleitoral de outubro.
UMA MENSAGEM DA DOCUSIGN
Os benefícios da IA na reforma tributária

O Momentum Digital 2026, em 12 de agosto, abordará o impacto da reforma tributária na gestão de contratos, com foco nos preparativos para a transição para o novo regime em 2027. Por isso, o evento vai apresentar o Docusign IAM para mitigar o atual gargalo enfrentado pelas empresas, que gastam em média 1h24 em buscas manuais. Na plataforma, a IA Iris torna instantânea a localização de termos da reforma tributária, reduzindo o tempo em até 83%.
A agenda do encontro também vai focar na execução operacional da conformidade, usando a tecnologia para:
- automatizar a criação de minutas para atualizar um grande número de contratos simultaneamente;
- identificar riscos contratuais durante a fase de implementação da reforma tributária.
2. See you later than sooner

É difícil que o visto de Daniel Perez seja liberado antes da eleição, segundo fontes do governo ouvidas por Vivian Oswald no JOTA.
- Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República manifestou repúdio à decisão de Washington, que considera baseada em argumentos falsos, e afirmou que “fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”.
- Apesar de dura, a nota deixa aberta a possibilidade de diálogo.
- “Em linha com sua tradição diplomática, o governo brasileiro se opõe à lógica de confrontação e reitera a defesa do diálogo e da negociação em todas as suas relações internacionais”, diz o texto.
3. Dores de cabeça

As revelações sobre repasses feitos pela lobista Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, acenderam um sinal de alerta na campanha do presidente, Fabio MuraKawa escreve em sua coluna no JOTA.
- Integrantes da coordenação eleitoral tratam o episódio como um dos que apresentam maior potencial de desgaste desde o início da disputa.
Por que importa: O caso reúne dois temas sensíveis para o governo, segundo a avaliação reservada de aliados: aproxima o gabinete presidencial do escândalo do INSS e reintroduz na campanha a discussão sobre tráfico de influência na máquina pública.
- A preocupação decorre menos do valor dos repasses e mais da posição ocupada por Marcola ao lado de Lula.
- Desde que Lula deixou a Presidência, em 2010, ele se tornou um de seus auxiliares mais próximos, acompanhando o petista no Instituto Lula.
- Na prática, exercia o papel de principal ponte entre o presidente e o mundo político.
Essa função ganha relevância porque Lula não usa celular.
- Ministros, parlamentares, dirigentes partidários e aliados costumavam recorrer a Marcola quando precisavam transmitir recados ou solicitar uma conversa com o presidente.
- Era ele quem organizava boa parte desse fluxo de comunicação e da agenda política de Lula.
E é justamente esse aspecto que faz crescer a apreensão entre integrantes da campanha.
- Caso a investigação avance para medidas como uma eventual apreensão do celular de Marcola, o potencial de desgaste não estaria necessariamente restrito ao objeto da investigação.
- Um aparelho utilizado durante anos como canal informal de interlocução política pode reunir conversas, contatos e informações sem qualquer relação direta com o caso atual…
- …mas que, se vierem a público em plena campanha, têm potencial para alimentar novos desgastes políticos e sucessivos ciclos de notícias negativas.
O episódio também se conecta a outra frente que já vinha preocupando a estratégia eleitoral do PT: as investigações envolvendo Lulinha e relacionadas à mesma lobista.
- A abertura de três inquéritos por suposto tráfico de influência, conduzidos pela Polícia Federal com autorização do Supremo, já havia levado a campanha a montar uma estratégia preventiva para lidar com eventuais desdobramentos.
- A avaliação interna continua sendo que, até o momento, não surgiu nenhum elemento que comprometa diretamente Lula.
🛜 Nas redes: A mensagem oficial da direita foi de que a corrupção chegou ao gabinete do presidente Lula, Iago Bolívar registra no JOTA PRO Poder.
- De Flávio Bolsonaro a perfis da órbita de Carlos e Eduardo Bolsonaro, as suspeitas sobre Marcola foram associadas às investigações sobre Lulinha e à fraude no INSS.
- Sem comprar a versão do empréstimo apresentada para justificar os depósitos na conta de Marcola, perfis de esquerda concentraram as críticas nos vazamentos e na rapidez da investigação contra o filho do presidente.
- O tema teve tração entre os bolsonaristas, mas sem monopolizar as discussões.
🔮 O que observar: Os primeiros levantamentos internos da campanha petista ainda não registraram qualquer deterioração da imagem de Lula associada ao caso Marcola.
- A percepção é de que o assunto permanece concentrado na bolha política, jurídica e jornalística, sem ter alcançado de maneira significativa o eleitor comum.
- O teste decisivo virá nas próximas semanas.
- Além de acompanhar a evolução das investigações, a campanha observará se o episódio rompe a barreira do noticiário político e passa a influenciar a percepção do eleitor.
- É essa transição da crise restrita aos bastidores para uma crise de opinião pública que poderá determinar se o caso será apenas um ruído passageiro ou um fator capaz de alterar os rumos da disputa presidencial.
4. Flávio e o ‘efeito Caiado’

O movimento de setores do empresariado e do mercado financeiro no último mês para tentar emplacar uma terceira via — personificada em Ronaldo Caiado — acendeu um alerta na campanha do senador Flávio Bolsonaro, Marianna Holanda e Daniel Marcelino escrevem no JOTA PRO Poder.
- Há uma avaliação de que esses segmentos da sociedade, mais refratários a Lula, teriam embarcado na candidatura do ex-governador de Goiás.
Sim, mas… O dano à campanha de Flávio estaria restrito a esses segmentos.
- Eleitoralmente, os aliados não acreditam que Caiado tire votos de Flávio ou chegue a ameaçar sua candidatura.
- O impacto é, portanto, mais simbólico: parte do eleitorado de centro que o senador do PL busca pode migrar para o goiano.
📊 Panorama: A concentração das intenções de voto sugere que a eleição já está organizada em torno de dois polos.
- Segundo o consenso do agregador do JOTA, Lula e Flávio concentram cerca de 66% das intenções de voto, deixando uma fatia relativamente pequena para os demais candidatos, além de brancos, nulos e indecisos.
- Isso reduz o espaço para que uma candidatura alternativa ganhe escala.
O cenário atual se aproxima do observado em 2022.
- A cerca de 60 dias do primeiro turno, Lula e Jair Bolsonaro reuniam aproximadamente 69% das intenções de voto.
- Daquele ponto até a eleição, a concentração de votos nos dois líderes aumentou, em vez de diminuir.
5. Por que evitar debates?

As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro indicam que os dois candidatos devem participar de apenas poucos debates previstos até o primeiro turno.
- A estratégia é reduzir a exposição dos líderes das pesquisas em confrontos com adversários de menor competitividade e limitar os danos de imagem inerentes a esse tipo de evento, Daniel Marcelino escreve no JOTA.
Há convergência entre as duas campanhas.
- Na avaliação de ambas, colocar Lula e Flávio no mesmo palco que os demais candidatos daria vitrine aos adversários menores.
- Abriria chance para os outros candidatos confrontarem os líderes, explorando um eventual erro ou declaração controversa para ganhar projeção nas redes e no noticiário e ampliando a exposição às custas dos favoritos.
Outro argumento é eleitoral.
- Em uma eleição polarizada e com o voto mais consolidado, as campanhas avaliam que os debates oferecem pouco potencial de ganho para os líderes da corrida e muito espaço para desgaste devido a assimetria de incentivos.
- Além disso, a maioria das pesquisas mostram que há poucos eleitores indecisos para conquistar, algo entre 3% a 4%.
6. Velho aliado

O Novo anunciou ontem (4) o senador Eduardo Girão (Novo-CE) como vice na chapa de Romeu Zema na disputa à Presidência, Maria Eduarda Portela registra no JOTA.
- A campanha eleitoral deste ano terá ao menos três chapas puras entre as mais bem colocadas nas mais recentes pesquisas.
- O PSD, com Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab, e o Missão, com Renan Santos e Aroldo Medina, também terão chapa pura na disputa pela Presidência da República.
Em nota, Zema elogiou Girão.
- “Sempre disse que gostaria de um parceiro de chapa que fosse uma pessoa decente e ficha limpa. Em oito anos como senador, Girão demonstrou toda a sua coragem e integridade para enfrentar o abuso de poder, a censura e a farra dos intocáveis de Brasília. Não poderia ser outra pessoa”, afirmou o presidenciável.
O senador do Novo, também em nota, agradeceu o convite, e reforçou as prioridades da campanha para um eventual governo.
- “Pelos brasileiros sedentos por justiça, quero levar o que nós acreditamos e já defendemos em nossos mandatos aos quatro cantos do país: mais segurança, mais prosperidade, mais defesa da vida e família, e menos abusos dos intocáveis que tomaram conta do poder público.”
- Girão era pré-candidato ao governo do Ceará, mas enfrentava um cenário complicado.
- Ele aparecia com 3% das intenções de voto, atrás de Ciro Gomes (PSDB), com 43%, e do atual governador, Elmano de Freitas (PT), que tem 33%, conforme levantamento da Quaest.
7. Faça o que digo

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, apresentou ontem (4) ao Conselho Nacional de Justiça uma proposta de código de conduta a ser seguido por magistrados de todo o país, Flávia Maia registra no JOTA.
- As orientações devem guiar tanto cortes superiores, como o Superior Tribunal de Justiça, quanto tribunais da Justiça federal e estadual — mas não afetam ministros do Supremo, que não estão subordinados ao CNJ.
⚖️ Panorama: Durante a apresentação do texto, Fachin disse que a ideia é fortalecer uma cultura de integridade baseada na orientação, na transparência e na “autorregulação responsável”.
- “Trata-se de consolidar a ética como cultura organizacional, como prática cotidiana e como virtude institucional”, afirmou.
- Os tribunais terão 60 dias para se manifestar sobre a proposta e podem apresentar contribuições e aperfeiçoamentos.
- Depois, o texto deve ser votado pelo colegiado do CNJ.
- Se aprovado, os tribunais deverão adequar seus atos normativos e procedimentos internos às diretrizes no prazo de seis meses.
- O texto tem caráter preventivo e orientador e não apresenta sanções contra os juízes.
- Assim, a norma não cria hipóteses de impedimento ou suspeição.
Aliás… O CNJ decidiu afastar a juíza Gabriela Hardt por dois anos.
- A medida foi tomada em julgamento de um processo administrativo aberto contra a magistrada em 2024 por suspeitas envolvendo homologação de acordo na Lava Jato.
- Venceu a posição do relator do processo, conselheiro Rodrigo Badaró, que propôs aplicar a punição de disponibilidade, que afasta o magistrado da função, mas mantém vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Leia mais.