O ministro Alexandre de Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias após o senador ler uma carta de Jair Bolsonaro reiterando seu apoio ao filho.
Mas se a decisão do ministro ajuda a reunificar a base em torno de Flávio após crises, a necessidade do pré-candidato recorrer ao pai mostra uma situação fragilizada.
O bolsonarismo é uma colcha de retalhos desde sempre, mas Jair conseguia impedir a implosão quando queria. Agora preso, não tem ninguém com envergadura para ocupar o seu espaço – nem Flávio, nem Michelle.
E os preços do petróleo atingiram o maior patamar em um mês na manhã de hoje — com o barril Brent a US$ 87,03 — devido aos ataques dos EUA ao Irã e à tensão no Estreito de Ormuz.
Boa leitura.
O PONTO CENTRAL
1. Carta na manga
A dependência política do pai trava o projeto de Flávio Bolsonaro de se apresentar como uma versão atualizada e vacinada do ex-presidente, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.
- Para estancar a sangria em sua campanha após diversas crises, Flávio precisou recorrer ao apoio declarado de Jair, lendo no sábado (11) uma carta escrita pelo pai com a reiteração de sua escolha.
- A carta escrita de punho próprio aponta Flávio como verdadeiro “porta-voz” do pai — desautorizando Michelle Bolsonaro na disputa com o enteado.
- A dificuldade de Flávio de se impor como candidato revela uma candidatura fragilizada. Ele não consegue ir muito longe sem precisar recorrer ao pai.
Sim, mas… O episódio teve como consequência a proibição, pelo STF, de Flávio visitar o pai por 90 dias — ou seja, ele só terá acesso ao ex-presidente 8 dias após o primeiro turno da eleição, que será em 4 de outubro. Leia mais.
- O ministro Alexandre de Moraes considerou que a leitura do texto por Flávio foi uma tentativa de Bolsonaro de burlar a proibição de acessar redes sociais.
UMA MENSAGEM DO SINDICOM

Infraestrutura do setor de distribuição de combustíveis
O setor de distribuição de combustíveis nacional opera 16 refinarias com capacidade de 2,31 milhões de barris por dia, além de 360 usinas de etanol e 58 de biodiesel. Complementarmente, o país depende de importações para suprir cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina consumidos internamente.
Para garantir que essa oferta precisa chegue diariamente aos consumidores dispersos por quase todo o território nacional, o país conta com a seguinte infraestrutura:
- existência de 189 distribuidoras autorizadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis);
- 360 bases regionais de distribuição;
- 45 mil postos e 632 Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs).
2. Identidade reativa

Embora Flávio Bolsonaro tenha ficado sem acesso ao seu principal fiador político em um momento em que os palanques ainda não estão fechados, a decisão de Moraes é considerada positiva por sua pré-campanha, avalia Marianna Holanda no JOTA PRO Poder.
- A decisão reforçou a narrativa de perseguição do bolsonarismo pelo Supremo e teve o efeito de reunificar a base em torno do pré-candidato após diversas crises.
- Flávio fez uma transmissão ao vivo no YouTube na noite de ontem (13), nos moldes das que Jair costumava fazer, em resposta a Moraes.
- A live teve 27 mil visualizações. É um patamar muito acima do que o senador costuma ter, embora seja bem abaixo da audiência que Bolsonaro conseguia reunir.
Sim, mas… Aliados dizem que Flávio nunca esteve tão irritado durante esta campanha quanto ontem. O humor transpareceu na transmissão: Flávio falou palavrões para se referir a Lula e buscou demonstrar improviso e espontaneidade no cenário, com uma bandeira do Brasil pendurada ao fundo.
3. Questão de tempo

Às vésperas dos Estados Unidos baterem o martelo definitivo sobre o tamanho — e o alcance — do novo tarifaço às exportações do Brasil, o governo se preocupa com o tempo de duração da penalidade, Vivian Oswald escreve no JOTA PRO Poder.
- A expectativa é que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anuncie amanhã (15/7) a conclusão da investigação comercial aberta contra o Brasil sob a Seção 301 em julho do ano passado.
- Governo e setor privado dão como certas taxas que podem chegar a 37,5%. Uma vez em vigor, dificilmente o percentual poderá ser retirado no curto ou médio prazo.
- O processo é burocrático e não permite suspender a cobrança de uma hora para outra: não se trata de uma negociação bilateral, mas do cumprimento dos ritos de uma investigação que terá durado um ano.
🔮O que observar Uma eventual retaliação brasileira após o anúncio não seria imediata. De acordo com a Lei da Reciprocidade, aprovada no ano passado, é preciso cumprir algumas etapas do lado de cá.
- Estima-se um prazo de dois a três meses.
- Estão previstas, por exemplo, consultas públicas para que os setores da economia sejam ouvidos e a retaliação não seja um tiro no pé.
4. Parar a paralisação

Após ameaça de greve de caminhoneiros, o governo e a oposição fizeram um acordo para evitar que a Medida Provisória do Frete perca a validade, Maria Eduarda Portela e Daniel Marques Vieira escrevem no JOTA.
- O compromisso para votação no Senado foi anunciado pelo líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).
- Os termos, porém, ainda serão apresentados ao relator da proposta, o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN).
- A negociação prevê alterações no texto por meio de emendas de redação, o que evitaria o retorno da matéria à Câmara dos Deputados.
- Mudanças nessa fase também evitariam a possibilidade de veto do presidente Lula a trechos considerados sensíveis, como a anistia às multas aplicadas a caminhoneiros por protestos após as eleições de 2022.
5. Recado à caserna

O presidente Lula afirmou ontem (13) que não quer um sistema de Defesa voltado ao pagamento de benefícios previdenciários, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.
- Lula disse que quer as Forças Armadas para “cuidar da soberania do país” e não “para pagar aposentadoria”.
Por que importa A fala é mais um indício de que o governo pretende fazer mudanças na Previdência em um novo mandato, caso Lula seja reeleito.
- A declaração ecoa uma fala recente do ministro Dario Durigan, da Fazenda, em entrevista ao JOTA, sobre distorções no serviço público, especificamente para os militares.
- “Não acho justo ter aposentadoria de militar com 46, 47 anos de idade quando a população brasileira vai se aposentar com 70 anos”, disse Durigan.
6. Minerais críticos

Enquanto ainda não há avanço nem perspectiva de definição de relatoria para o Projeto de Lei dos Minerais Críticos no Senado, a Casa dá andamento a seu próprio projeto para o setor, Larissa Fafá escreve no JOTA PRO.
- O PL 2.780/2024 já foi aprovado pela Câmara e aguarda apreciação pelo Senado, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, tem segurado a pauta.
- Já o PL do próprio Senado sobre o tema, o PL 4.443/2025, de autoria de Renan Calheiros (MDB-AL), teve ontem o parecer do relator e está na pauta da Comissão de Infraestutura de hoje (14/7).
- Caso seja aprovado e passe por turno complementar na comissão, poderá ser enviado direto à Câmara, sem passar pelo plenário do Senado.
Sim, mas… Ambos os projetos visam fortalecer a produção nacional de minerais considerados estratégicos para setores como baterias, veículos elétricos, fertilizantes e defesa — mas adotam caminhos diferentes para alcançar esse resultado.
- O texto aprovado pela Câmara organiza a política pública a partir de uma estrutura centralizada de governança, vinculada diretamente à Presidência da República.
- Já a versão do Senado incorpora mecanismos semelhantes, mas acrescenta uma série de instrumentos de planejamento, financiamento e incentivos econômicos.