A intenção de voto espontânea captada pela nova rodada da pesquisa Futura/Apex reforça a leitura de reorganização do campo da direita, já identificada também nos cenários de voto estimulados, na análise que enviamos há pouco.
A pergunta aberta para presidente revela uma mudança relevante na distribuição das menções espontâneas, com impacto direto sobre a hierarquia interna da oposição. O dado mais expressivo é o avanço de Flávio Bolsonaro (PL), que salta de 3,3% em dezembro para 19,9% em janeiro, passando a ocupar posição central no campo conservador. No movimento inverso, Jair Bolsonaro (PL) recua de 14,5% para 4,8%, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) cai de 6,4% para 2,4%.
Os números sugerem um processo de transferência de intenção espontânea do ex-presidente Bolsonaro para seu filho Flávio. A migração indica que o eleitor mais ideológico da direita passa a reconhecer Flávio como herdeiro político preferencial do bolsonarismo, mesmo na ausência de estímulos ou listas de candidatos. Trata-se de um sinal qualitativo relevante, pois a espontânea tende a capturar com mais precisão lideranças percebidas como “naturais” pelo eleitorado.
Já a retração observada nas menções ao nome de Tarcísio é consistente com seu reposicionamento político recente. A declaração pública de apoio a Flávio Bolsonaro, combinada com a reafirmação de sua candidatura à reeleição em São Paulo, parece ter reduzido sua centralidade no imaginário nacional da disputa presidencial. O movimento não implica perda de capital político estadual, mas limita sua presença como alternativa competitiva no plano federal, especialmente na fase pré-eleitoral.
O resultado agregado é um campo da direita mais concentrado na espontânea, com redução do espaço para múltiplas candidaturas competitivas. Diferentemente de rodadas anteriores, em que o eleitor oposicionista se distribuía entre vários nomes, a nova fotografia sugere um processo de convergência em torno de Flávio Bolsonaro. Esse alinhamento tende a reforçar a polarização do pleito e a antecipar a dinâmica de segundo turno, ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantenha, por ora, a posição de favorito no conjunto dos cenários.
Sobre a pesquisa
O levantamento, registrado no TSE sob o número BR-08233/2026, ouviu 2.000 entrevistados em 849 municípios entre os dias 15 e 19 de janeiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.