Garcia Pereira Advogados Associados

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha interrompeu nesta terça-feira (9/6) o julgamento do referendo da liminar do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, que suspendeu a pesquisa feita pelo Instituto AtlasIntel em que trazia um bloco de perguntas relacionando Flávio Bolsonaro, pré-candidato do Partido Liberal (PL) à presidência da República, ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. Com o pedido de vista, a liminar continua válida e a pesquisa, suspensa. 

O questionário do AtlasIntel foi aplicado a eleitores dias depois do site The Intercept Brasil revelar o áudio de uma conversa de Flávio com o ex-banqueiro do Master em que o pré-candidato cobrou uma verba de R$ 134 milhões para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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 Divulgada em maio, a pesquisa apontou queda de 5 pontos nas intenções de voto do pré-candidato do PL no primeiro turno das eleições de 2026. 

Na sessão desta terça-feira (9/6), Nunes Marques reiterou o teor da liminar e defendeu que existem elementos mínimos que evidenciam “possível comprometimento da neutralidade metodológica do questionário” e que a sequência de perguntas poderia induzir o entrevistado. 

O ministro Dias Toffoli, que tomou posse como ministro efetivo do TSE nesta terça-feira (9/6), disse que o tribunal não está decidindo sobre essa pesquisa específica até porque ela já foi divulgada, mas sim sobre os parâmetros que serão fixados nas eleições de 2026. Em sua visão, o tribunal vai decidir se pode ou não vídeo em pesquisas.

“Pode ter vídeo? Vai ter vídeo até citando juízes”, disse. “É muito sério o que vamos decidir”. “Se pode, pode vídeo de todo tipo”, acrescentou. 

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No plenário, Toffoli disse que, se fosse parlamentar, deixaria as pesquisas livres, no entanto ele não é. Na visão dele, o povo define, com a sua soberania, quais institutos são sérios e os que não os são. “É para medir opinião pública, não formar opinião pública”, acrescentou.

Na visão do ministro, o que será decidido é o futuro das pesquisas para 2026. “Qual o limite entre o que é induzimento e o que não é? Não pode ser subjetivo”, disse. 

Na sequência, Mendonça complementou a fala: “nem tendenciosa”. Depois, ponderou que os institutos de pesquisa exercem um papel importante nas eleições e que eles devem ser atores da lisura e da cooperação no processo eleitoral.  

A ação

O PL acionou o TSE contra a pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontou uma queda de 5 pontos nas intenções de voto do candidato no primeiro turno das eleições de 2026. 

Entre os pedidos à Justiça eleitoral estão a suspensão da divulgação da pesquisa, informações sobre os métodos, multa à empresa e a proibição da divulgação do bloco de perguntas que relaciona Flávio Bolsonaro ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. 

A representação questiona a metodologia adotada no levantamento e sustenta que o questionário teria sido estruturado de forma a induzir a percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro. Na petição apresentada no TSE, os advogados argumentam que das 48 perguntas, 8 tratam, “em claro induzimento”, do suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o Banco Master.

Sustentação oral

A advogada do PL Maria Cláudia Bucchianeri sustentou que não “há nada de novo sob o sol” para citar que é comum que as pesquisas eleitorais sejam impugnadas. 

Segundo ela, cabe à Justiça eleitoral manter a transparência e integridade das pesquisas e, no caso do AtlasIntel, o instituto fez uso da técnica de framing – o uso de um determinado enquadramento na formulação da pergunta ou na apresentação do contexto, de modo que o entrevistado avalie um candidato, tema ou cenário a partir de uma “moldura” específica. 

A advogada disse que o presidente Lula também seria prejudicado, como Flávio Bolsonaro, caso um instituto de pesquisa perguntasse o que o entrevistado acha da frase “quer bater em mulher, vai bater em outro lugar”. A frase está fora do contexto e faz parte de um trecho do discurso no comício do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, e viralizou nas redes bolsonaristas. 

Ao falar sobre violência contra mulher, o petista elogiou a Lei Maria da Penha e discursou condenando as agressões contra mulheres. Numa passagem, porém, afirmou a frase de cunho machista de que “quer bater em mulher, vá bater noutro lugar, mas não dentro da sua casa ou no Brasil”.

Já o advogado do Instituto AtlasIntel, Gualter Rafael Maciel Bezerra, requereu a derrubada da liminar. Segundo ele, a pesquisa não tem nenhuma violação efetiva contra as normas do TSE. Ele relatou que o áudio revelado entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro era público e notório. 

Portanto, não teve “contaminação” do questionário aplicado e a leitura é subjetiva. Ele destacou que outros institutos de pesquisa fizeram perguntas sobre o áudio. 

Bezerra também argumentou que o instituto mediu o impacto do desfile da escola de samba em homenagem a Lula.