Garcia Pereira Advogados Associados

A COP30, realizada em Belém (PA) e tratada pelo governo como vitrine da agenda climática de Lula, ainda enfrenta um desafio básico: ser conhecida. Segundo a Genial/Quaest, apenas 48% dos brasileiros ouviram falar da conferência, enquanto 51% afirmam desconhecê-la –um sinal de déficit de comunicação tanto do governo quanto dos organizadores.

A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, entre 6 e 9 de novembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O campo terminou um dia antes do início da conferência.

Resultados positivos

Entre os que conhecem o evento, prevalece o otimismo: 41% acreditam que a COP30 trará resultados positivos para o Brasil, seja pela visibilidade internacional ou por outros efeitos. Apenas 7% veem resultados negativos, enquanto 11% não souberam avaliar e 41% acham que não fará diferença.

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A avaliação é fortemente marcada pela clivagem política. Entre lulistas, 57% esperam efeitos positivos, proporção que sobe a 62% entre eleitores de esquerda não lulista. A visão negativa é minoritária, mas atinge 14% entre bolsonaristas, refletindo que parte da direita ainda vê a pauta ambiental como periférica e distante da agenda nacional que orienta esses eleitores. O otimismo é menor entre independentes (36%) e bolsonaristas (25%), grupos em que predomina a percepção de que a conferência “não fará diferença” (45% e 52%, respectivamente).

No conjunto, os dados mostram que o tema ambiental ainda mobiliza pouco o eleitorado, mas ganha espaço à medida que a COP30 entra na pauta pública. A percepção positiva pode favorecer o governo, sobretudo se conseguir vincular a agenda climática a resultados econômicos concretos e manter coerência entre discurso e prática ambiental.

Exploração de petróleo

O levantamento também aponta um avanço significativo no apoio à exploração de petróleo na margem equatorial brasileira, região próxima à foz do Rio Amazonas. Em outubro, 26% eram favoráveis e 70% contrários; agora, em novembro, o apoio subiu para 42%, enquanto a rejeição caiu para 49%.

O movimento é consistente em todas as regiões, mas a pesquisa não traz uma cota específica para o Norte, que aparece agrupado ao Centro-Oeste. Ainda assim, é factível supor que o apoio à exploração petrolífera seja mais forte no Norte e no Nordeste, onde o argumento do desenvolvimento econômico local tende a ter maior apelo. Esse padrão se confirma no Nordeste, única região em que a maioria apoia a exploração: 46% a favor e 44% contra.

A clivagem política é ainda mais nítida. Entre lulistas, o apoio à exploração subiu de 32% para 51%, enquanto a rejeição caiu de 64% para 41%. Entre bolsonaristas, ocorre o inverso: 58% são contrários e apenas 36% favoráveis. Eleitores de esquerda não lulista também mostram resistência (54% contra, 41% a favor), e os independentes permanecem divididos (49% contra, 37% a favor), mas apresentam forte queda na rejeição, que em outubro era de 81% contra e 14% a favor.