Garcia Pereira Advogados Associados

Os diálogos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicando sua proximidade com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, têm o combustível necessário para implodir o pacto de união firmado entre os magistrados. Uma ala da corte que já estava ressabiada com os supostos atos não republicanos de colegas pode optar por não passar pano. Nos bastidores, as informações são de que a manutenção do apoio dependeria do andamento das investigações.

No dia 12 de fevereiro de 2026, os magistrados concordaram em assinar uma carta conjunta de apoio à condução do ministro Dias Toffoli no caso Master, desde que ele se afastasse das investigações. Ali foi feito um pacto. A ideia naquele momento era mostrar que a corte estava unida para se defender e acreditou-se que a carta e um novo relator seriam suficientes para tentar estancar a crise de imagem. O objetivo era tentar virar a página.

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Não foi o que ocorreu. Embora houvesse um desejo de estancar a crise, alguns ministros tinham consciência de que o pacto apresentava fragilidades e poderia não ser perene. Um fator de peso seriam as revelações das investigações, que estavam apenas no começo. O relatório da Polícia Federal já indicava o início de um longo caminho investigativo com indícios da ligação de Toffoli com o banqueiro – o que o afastou da relatoria do inquérito.

Mas os ministros achavam que, naquele momento, a proteção da corte importava mais. Ainda mais com as eleições de 2026 chegando e com candidatos que têm como bandeira o ataque ao STF. Agora já não está mais tão claro até que ponto a sociedade vai aceitar a ideia de um Supremo perseguido quando ministros aparecem em conversas e negócios com investigados.

Por enquanto, Moraes nega os diálogos com Vorcaro que vieram a público e sua resposta deve ser o ataque. Da outra vez que seu nome foi ligado ao banqueiro por meio do contrato milionário com a sua esposa Viviane Barci, o ministro abriu um controverso inquérito para investigar servidores da Receita Federal e do Coaf.

Moraes deve insistir no discurso de perseguição ao STF, como fez na nota enviada à colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo ele, as mensagens do celular de Vorcaro são ilações para atacar o Supremo.

Contudo, ao contrário de outras vezes, nos bastidores, os ministros mostram-se mais preocupados com a escalada das denúncias e qualquer acordão pode ser mais difícil de ser costurado. Já há uma ala menos disposta a proteger colegas.

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Um ponto a favor de Moraes será o 8 de Janeiro. Os ministros sabem que fragilizar Moraes pode servir de munição para esfacelar o julgamento dos atos golpistas que culminaram na prisão de Jair Bolsonaro.

A crise é interna, mas os ministros sabem que o pior cego é aquele que não quer ver.